As escolas brasileiras estão intensificando as medidas para limitar o uso de smartphones nas salas de aula, com quase três em cada dez instituições (28%) já proibindo o uso de celulares em suas dependências. A pesquisa TIC Educação, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (6), revela que essa proibição é mais comum nas séries iniciais do Ensino Fundamental, onde 43% das escolas adotam a prática, em comparação com apenas 8% no Ensino Médio. A pesquisa não inclui dados do Ensino Infantil.

A crescente preocupação com os impactos dos aparelhos eletrônicos na saúde mental e no aprendizado de crianças e adolescentes tem alimentado discussões globais. No Brasil, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) está debatendo um projeto de lei que propõe a proibição de celulares e outras telas em escolas públicas e privadas do estado. Essa proposta contraria as ações do secretário estadual de educação, Renato Feder, que promove o uso intensivo de plataformas digitais conectadas.
Na cidade do Rio de Janeiro, o uso de celulares em escolas públicas foi proibido desde março deste ano. A questão ganha ainda mais relevância com a publicação do livro “The Anxious Generation” (A Geração Ansiosa), do psicólogo Jonathan Haidt, que se tornou um best-seller e tem influenciado o debate. Haidt argumenta que o uso de smartphones interfere em mais de dez aspectos do desenvolvimento social e neurológico das crianças e adolescentes e sugere quatro medidas para mitigar esses danos: proibir smartphones antes dos 14 anos, vetar redes sociais antes dos 16 anos, barrar o uso de smartphones nas escolas e promover a autonomia e o livre brincar na infância.
Embora o bloqueio total dos smartphones seja uma estratégia adotada por algumas escolas, outras estão buscando alternativas para gerenciar o uso desses dispositivos, tentando equilibrar a tecnologia com o ambiente educacional.
Em 64% das escolas, o uso do celular só é liberado em espaços determinados ou horários pré-definidos.
Outra forma encontrada pelas instituições de ensino para coibir as atividades digitais é controlar o acesso aos computadores ou o tempo disponível para usar a internet.
Por um lado, as escolas estaduais são mais rigorosas, seguidas das particulares, enquanto as municipais são mais permissivas:
- restringem o número de horas para usar o computador ou a internet: 38% (estaduais); 53% (particulares); 38% (municipais)
- agendam horários para professores usarem computadores: 53% (estaduais); 35% (particulares); 30% (municipais)
- exigem presença de monitores ou professores de informática durante uso dos alunos: 64% (estaduais); 59% (particulares); 39% (municipais)
- agendam horários para alunos usarem computadores: 67% (estaduais); 52% (particulares); 40% (municipais)
Já as escolas estaduais são as que mais impõem medidas para barrar plataformas ou aplicações:
- Bloqueio de acesso a redes sociais: 47% (estaduais); 46% (particulares); 32% (municipais)
- Filtro dos aplicativos que os alunos podem baixar: 57% (estaduais); 55% (particulares); 38% (municipais)
- Restrição de acesso a jogos eletrônicos: 59% (estaduais); 59% (particulares); 41% (municipais)
- Uso de software que bloqueia spam, lixo eletrônico ou vírus: 61% (estaduais); 58% (particulares); 38% (municipais)
- Uso de senha para acesso de alunos: 69% (estaduais); 53% (particulares); 39% (municipais)
Chama a atenção apenas 70% das escolas estaduais bloquearem o acesso a sites com conteúdo adulto, como pornografia e violência. Esse número é ainda menor entre as particulares (67%) e as municipais (46%).
Elaborada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação ) do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), a pesquis amostra ainda que 92% das escolas brasileiras possuem internet.
Para chegar a esse patamar, a conexão avançou escolas da área rural (52% tinham internet em 2020 e passaram a 81% em 2023) e as municipais (de 71% para 89%).
Outro destaque da pesquisa é uma guinada rumo à vigilância na sala de aula. Mais da metade (51%) das escolas do Brasil adotam sistema interno de monitoramento com câmeras e identificação biométrica — o movimento é puxado por escolas do Sudeste e Sul, de capitais e particulares.
Há a presença de reconhecimento facial em 4% das escolas. Chega a 12% na região Sul, a 6% em capitais e a 6% em estaduais.





