Após polêmica, público lota livraria flutuante: ‘Para saberem que somos de bem’

 

Exu não é demônio e espíritos existem em todos os lugares, defende a secretária Tânia Rehen, 55 anos. Ela faz referência a uma publicação feita no perfil do Facebook da maior livraria flutuante do mundo, a Logos Hope, abrigada em um navio de nove andares, atracado na capital baiana desde a sexta-feira (25).

No texto sobre os dez dias em que vai permanecer cidade, a organização sugere que os seguidores peçam “proteção, força e sabedoria para os tripulantes” porque Salvador é “conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios”. Um absurdo, resume Tânia. “Nossa cultura precisa ser respeitada”.

Mesmo com o descontentamento, ela foi uma das centenas de pessoas que lotaram a embarcação, neste sábado (26), segundo dia de visitação. Já havia se preparado para conhecer o acervo com mais de 5 mil livros da Hope, mas confessa que teve uma motivação a mais, após post polêmico.

“Honestamente, vim para saberem que somos de bem. Que somos pessoas com carga cultural e que não há nada de mau nisso”, destaca, ao traçar relação entre a publicação de tom discriminatório com o fato da capital baiana tem hábitos diretamente ligados à cultura de religiões de matriz africana.
Acompanhada de uma amiga, a secretária afirma, contudo, que foi bem tratada nas dependências no navio, operado Good Books For All (GBA), uma organização de origem cristã da Alemanha, que cobra R$ 5 por pessoa pelo acesso. Na parte interna, onde passou cerca de uma hora e meia, Tânia lamenta, contudo, a “desorganização”. “Minha única crítica é quanto à organização. Ficamos apertados e não pudemos explorar os espaços. Podia ser melhor, mais folgadinho”.

‘Não deu pra levar nada’
A capacidade para uma média de 442 pessoas também é a principal queixa da autônoma Cláudia Andrade, 42. Além do conteúdo da publicação, que considerou “um abuso”. “Fomos bem tratados por eles, são muito educados, mas o que disseram sobre nós é inaceitável”, critica.

Quanto à visitação, reafirma o que diz a amiga Tânia. “Aí foi que fiz mesmo questão de vir. As pessoas precisam ter mais cuidado com o que dizem. Foi um passeio legal, mas seria mais se eles fossem um pouco mais organizados. Para entrar é tranquilo, mas na área interna parece show de tão cheio, filas enormes, não deu pra levar um livro”, destaca.

Fonte: Correio