Campanha nas redes sociais da Defensoria chama atenção para a cultura do estupro no dia a dia

No Brasil, a cada 8 minutos um estupro é registrado e na Bahia 9 mulheres são estupradas a cada dia. Os dados do Anuário de Segurança Pública de 2020, somados ao caso recente da jovem Mariana Ferrer, humilhada durante audiência judicial que analisava denúncia de estupro registrada por ela, reforçam a urgência de debater e combater as raízes do problema.

Assim, torna-se necessário trazer para a discussão o conceito de “cultura do estupro”, que nada mais é que o ambiente que banaliza, legitima e justifica a violência contra a mulher. Isso pode ser observado, por exemplo, na disseminação da ideia que o valor da mulher está ligado a suas condutas morais e sexuais enquanto o valor do homem não depende de nenhum destes fatores.

A defensora pública e coordenadora da Especializada de Direitos Humanos, Lívia Almeida, lembra que a nossa sociedade normaliza e até incentiva a violência sexual contra mulheres todos os dias. “Os maiores artifícios da cultura do estupro são o silenciamento e a culpabilização da vítima. Quando o primeiro não funciona, o agressor coloca em prática o descrédito e a humilhação. ‘Se saiu com essa roupa, queria’, ‘por que bebeu tanto?’, ‘por que estava na rua até tarde?’, ‘por que postou essa foto?’. O problema é que esse comportamento está tão enraizado que ele é repetido por toda a sociedade”, explica.

A Defensoria Pública do Estado da Bahia – DPE/BA tem como um dos seus compromissos a Educação em Direitos e as redes sociais tem se tornado ferramentas importantes nesta luta. Desta forma, foi ao ar na segunda-feira, 9/11, a campanha “Cultura do Estupro no dia dia”, no Twitter, Facebook e Instagram. Na última rede, os seis cards elaborados com frases que explicitam as nuances da misoginia formam uma imagem única.

Segundo a coordenadora da Assessoria de Comunicação, jornalista Vanda Amorim, a comunicação da DPE/BA tem sido pautada de forma a fortalecer esta função tão importante, identificando a melhor estratégia para a abordagem de temas atuais e relevantes. “Nesta campanha sobre a cultura do estupro, assunto que muita gente prefere silenciar, Rafael Flores, jornalista, e Antonio Félix, designer, chegaram a esta proposta do grid. Quando o internauta entra no perfil @DefensoriaBahia vê o painel formado pelos cards da campanha e a tradução, na imagem do mosaico, da opressão, da dor e do temor vivenciado pelas mulheres quanto ao estupro”, explica.

Em menos de 24 horas, a campanha circulou, foi compartilhada por personalidades e apenas no Instagram alcançou mais de 22 mil pessoas. Além disso, a Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública do Estado do Maranhão DPE/MA irá reproduzir a campanha em suas redes, aumentando ainda mais o alcance.