Bolsonaro diz que Exército pode ir para a rua acabar com ‘covardia de toque de recolher’

Foto : Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (23) que as Forças Armadas podem ir para a rua para, segundo ele, garantir o cumprimento do artigo 5º da Constituição e acabar com “essa covardia de toque de recolher” e outras restrições adotadas por governadores no combate à pandemia.

“Se tivermos problema, nós temos o plano de como entrar em campo”, disse Bolsonaro em entrevista veiculada no programa Alerta Especial.
“Eu tenho falado, falo o ‘meu’ e o pessoal fala ‘não’… eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. Vamos falar, o nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar, iremos para as ruas, não para manter o povo dentro de casa, mas para restabelecer todo o artigo quinto da Constituição”, acrescentou.

“Se eu decretar isso, vai ser cumprido este decreto. Então, as nossas Forças Armadas podem ir para a rua um dia, sim, dentro das quatro linhas da Constituição para fazer cumprir o artigo 5º, direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, (garantir o) direito ao trabalho, liberdade religiosa de culto, para cumprir tudo aquilo que está sendo descumprido por parte de alguns governadores e alguns poucos prefeitos.”
A fala de Bolsonaro se deu após questionamento do entrevistador, Sikêra Junior, sobre se não estaria na hora de uma reação mais enérgica dele, na linha, “ora, vamos parar com isso”.

Na entrevista, o presidente criticou o que considera um “poder excessivo que lamentavelmente o Supremo Tribunal Federal delegou”. Para Bolsonaro, qualquer decreto de governador e prefeito “leva a um transtorno à sociedade onde vem a indignação que você fala está chegando a hora”.

“Agora o que acontece? Eu não posso extrapolar e isso alguns querem que a gente extrapole. Eu estou junto com meus 23 ministros, você pega da Damares ao Braga Netto, todos, 23, praticamente conversados sobre isso aí, o que fazer se um caos generalizado se instalar no Brasil pela fome, pela maneira covarde como alguns querem impor essas medidas”, afirmou.

Segundo o presidente, o caldo “não entornou” no ano passado em função do auxílio emergencial e ele disse que o benefício –retomado este mês com valor reduzido– acabará em breve.
Fonte: Reuters