A Advocacia Negra Baiana: Uma Jornada de Luta e Conquista por Sérgio São Bernardo

A trajetória da advocacia negra na Bahia é um testemunho da luta pela igualdade e justiça no Brasil. Ao longo dos últimos 180 anos, essa jornada tem sido marcada por uma rica diversidade organizacional, refletindo um modelo atual de advocacia que se destaca pela sua riqueza e potencial.

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Desde a fundação do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) em 1843 até a criação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 1930, a advocacia negra tem desempenhado um papel crucial na defesa da dignidade e dos direitos humanos. Esta trajetória revela a persistência e o compromisso de homens e mulheres negros em ocupar espaços de poder e representação, lutando por um futuro mais justo e igualitário.

Uma expressão que encapsula bem essa trajetória é: “Se temos os pés e as mãos, por que não, a cabeça?”. Esta frase sintetiza o espírito ancestral que tem guiado a advocacia negra, revelando a capacidade e vocação para a liderança e a mudança social. No entanto, ainda enfrentamos desafios significativos que demandam uma reflexão profunda sobre nossa estratégia e nossa união.

A primeira tese que devemos refutar é a ideia de que a capacidade de ocupar espaços de poder está restrita a critérios econômicos. Em segundo lugar, é necessário contestar a noção de que a ascensão negra se limita a uma posição subordinada e coadjuvante. Finalmente, devemos superar a lógica de negociação individual ou em pequenos grupos, que perpetua a divisão e enfraquece nossa influência coletiva.

Para um futuro promissor, é essencial que a advocacia negra na Bahia se articule de forma estratégica e coesa. A construção de uma unidade estratégica exige diálogo, participação política ampla e respeito às diferenças. Analisar a gestão atual, as forças em jogo no cenário estadual e promover um debate teórico e operacional sobre nossos objetivos são passos fundamentais para fortalecer nossa posição.

Não podemos permitir que reuniões e debates sejam monopolizados por grupos específicos sem a participação de todas as forças políticas. A falta de um debate amplo e inclusivo pode comprometer nosso projeto histórico e enfraquecer nossa capacidade de mobilização. Em contraste, o acordo progressivo e a pluralidade de iniciativas legitimadas publicamente têm mostrado resultados positivos.

Rejeito a ideia de que uma maioria numérica deve decidir em nome de projetos divergentes. A advocacia negra não é apenas uma questão de representatividade em cargos da OAB ou Tribunais, mas sim um projeto de vida política que reflete as aspirações de milhões de negros e negras no Brasil.

Estamos à beira de um novo amanhecer, e as nossas experiências de luta e resistência nos ensinam que o sucesso só será alcançado com determinação unificada e organizada. A presença de advogados negros na OAB-Bahia não é apenas uma vitória simbólica, mas um marco na continuidade de uma luta de séculos por liberdade, igualdade e justiça.

Em nome da unidade política, do respeito às nossas histórias e da autonomia da advocacia negra baiana, seguimos firmes na busca por um futuro mais inclusivo e igualitário.