
O líder do governo do presidente Lula no Senado e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou que está comprovado que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou dar um golpe de Estado e questionou o voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que se posicionou pela absolvição de Bolsonaro das acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. A declaração foi dada por Wagner durante entrevista nesta quinta-feira (11) ao Blog do Valente.
De acordo com a PGR, Bolsonaro cometeu cinco crimes, entre eles dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, por causa das depredações do 8 de janeiro. No entanto, Fux afirmou que não há provas de que Bolsonaro tenha ordenado os ataques.
“Não há prova nos autos de que os réus tenham ordenado a destruição e depois se omitido. Pelo contrário. Há evidências de que, assim que a destruição começou, um dos réus tomou medidas para evitar que o edifício Supremo fosse invadido pelos vândalos. Porque eu atestei, pela prova dos autos, que o réu Anderson Torres assim agiu. É imperativo que o Estado acusador demonstre, no caso concreto, a materialidade do dano e a responsabilidade individual de cada um. A prática de um crime de dano qualificado, mesmo durante um evento multitudinário, não isenta, no meu modo de ver, a acusação de provar conduta específica de cada indivíduo. Nesse sentido, o acusado não pode ser responsabilizado por um dano provocado por terceiro. A simples alegação de liderança intelectual, desacompanhada de evidências concretas de responsabilidade de um indivíduo pelo dano, não é suficiente para condenação”, disse Luiz Fux.
Wagner rebateu: “Ora, quem é que deu a ordem? Quem é que deu a concordância? Quem é que permitiu como chefe supremo das Forças Armadas que é o presidente da República que houvesse aglomerações nas portas dos quartéis sinalizando que as Forças Armadas ou estava apoiando essa tentativa de golpe que teve seu momento mais violento no oito de janeiro, oito dias depois da posse do novo presidente, eleito legitimamente através de um processo que é consolidado, que é invejado no mundo inteiro, que são as nossas urnas eletrônicas e agora o cara vem dizer que não fui eu, não fui eu. Isso não é papel de liderança, é papel de covarde, a liderança assume o que fez pra exatamente aliviar a dor daqueles que o seguiram”.
O senador também chamou de “otários” os apoiadores da extrema direita que participaram dos atos e acamparam em frente a quartéis. Segundo ele, o objetivo era fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, o que instauraria um regime autoritário no país.
“O pessoal que entrou em ônibus na Bahia, no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, nos quatro cantos do Brasil, sustentado por gente de muito dinheiro, que não bota a cara; Essa moçada se esconde, os otário foi quem foi na frente, depredou tudo, quebrou o Palácio do Planalto, quebrou a sede da Suprema Corte, Supremo Tribunal Federal, invadiu o Congresso Nacional, a Câmara e o Senado, depredou obras relíquias eu diria como aquele relógio e outras que passaram a faca e cortaram peças extremamente importante do acervo nacional, meu, seu, de todo o povo brasileiro, aí o cara fica lá escondidinho e diz ô otário, vocês fazem a bagunça e a gente aqui só vai aproveitar no final porque já tinha uma proposta de fazer uma junta governativa. Ele que defende esse absurdo que é processo de anistia, eu digo, se o golpe tivesse dado certo, vocês não estavam mais aqui, que o primeiro passo era fechar o Supremo e depois fechar o Congresso Nacional e nós estaríamos de novo como uma nação num sistema autoritário”, disse Wagner.



