
Em texto enviado por Whatsapp, o ex-ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), classifica de “gesto insensato” e de “repulsivo e horrendo ‘grito necrófilo'” a recusa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de decretar um lockdown nacional por conta da pandemia da Covid-19.
Para o ex-ministro, o gesto do presidente é “próprio de quem não possui o atributo virtuoso do ‘statesmanship'” (estadista) e se caracteriza, “em face de seu inqualificável despreparo político e pessoal”, “pela nota constrangedora e negativa reveladora daquela ‘obtusidade córnea’ de que falava Eça de Queirós”.
- TSE marca reunião com embaixadores para reforçar segurança das urnas eletrônicas após declarações de Flávio Bolsonaro
- TSE reúne embaixadores para apresentar sistema eleitoral e funcionamento das urnas eletrônicas
- 52% dos brasileiros acreditam que tarifa dos EUA busca favorecer campanha de Flávio Bolsonaro, diz Datafolha
Ao elogiar os resultados das medidas de restrição adotadas em Araraquara (SP), Mello afirma que Bolsonaro “tornou-se, com justa razão, o Sumo Sacerdote que desconhece tanto o valor e a primazia da vida quanto o seu dever ético de celebrá-la incondicionalmente!!!”.
Aposentado desde outubro do ano passado, Mello afirma que o presidente julga ser “um monarca absolutista ou um contraditório ‘monarca presidencial'”.
O ex-ministro afirma que a atitude do presidente faz lembrar “o conflito entre Miguel de Unamuno, Reitor da Universidade de Salamanca no início da Guerra Civil espanhola, em 1936, e o General Millán Astray, falangista e seguidor do autocrata Francisco Franco, ‘Caudilho de Espanha’”.
Para Mello, as medidas tomadas em Araraquara são exemplo para o Brasil e seguiram recomendações da Organização Mundial da Saúde e de outros países, “governados por políticos responsáveis que repudiam as insensatas (e destrutivas) teses negacionistas!”.
O texto foi enviado para amigos, entre eles, ministros do STF.
O Palácio do Planalto informou que não irá se manifestar sobre o texto de Mello.
*CNN


