O senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos nomes de maior influência no campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, fez duras críticas ao pastor Silas Malafaia, em um vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais neste domingo (10). A fala expõe divisões internas no bolsonarismo e questiona decisões estratégicas do ex-presidente.

Nas imagens, publicadas pelo usuário Ivan Vieira no X (antigo Twitter), Nogueira aparece em uma gravação informal, usando fones de ouvido, e chama Malafaia de “criatura completamente execrável”. O senador também questiona o motivo de Bolsonaro colocá-lo como liderança em manifestações.
“O grande erro, aí é mais um erro do presidente Bolsonaro, mas o erro dele aceitar essas figuras como Silas Malafaia. Coloca ele na frente de uma manifestação como se fosse o grande líder. Ele não é líder de coisa nenhuma. É líder da internet. Um pastor líder da internet que nem tem igreja representativa no país”, disse.
Nogueira afirmou ainda que o religioso não contribui para o movimento e que não é uma pessoa confiável:
“Não acrescenta em nada e se mostrou agora que não é uma pessoa de confiança. Então, a pessoa desleal, eu quero distância dessa figura.”
O vídeo ultrapassou 47 mil visualizações, gerando reações diversas. Perfis identificados com a esquerda comemoraram o embate, enquanto apoiadores de Bolsonaro demonstraram surpresa. “Cobra engolindo cobra, isso é bom pra nós da esquerda!”, escreveu um internauta. Já outro, filiado ao PSOL, afirmou: “Malafaia já deveria estar preso.” Entre bolsonaristas, um usuário ironizou se o senador estaria “saindo da terra plana”.
Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e figura constante em atos pró-Bolsonaro, ainda não respondeu às críticas. Conhecido por seu discurso conservador e por convocar manifestações contra o governo Lula, o pastor possui milhões de seguidores nas redes sociais.
Para analistas políticos, o episódio reflete disputas internas no bolsonarismo após as eleições de 2022, especialmente com Bolsonaro inelegível até 2030. Segundo o cientista político João Mendes, da Universidade de Brasília, Nogueira busca se afastar de figuras polêmicas e se projetar como voz pragmática dentro do movimento.




