Caiado rebate Lula e acusa presidente de “vender o Brasil” em debate sobre minerais críticos

Pré-candidato à Presidência, ex-governador de Goiás defendeu acordo com Estados Unidos e Japão e criticou falta de industrialização no país

Ronaldo Caiado (PSD) em entrevista durante agenda com líderes do agronegócio em Belo Horizonte - Nathalie Guimarães - 23.abr.26/Divulgação Faemg

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, rebateu nesta quinta-feira (23) críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre acordos firmados pelo estado na área de minerais críticos sem consulta prévia ao governo federal.

Durante evento do agronegócio em Belo Horizonte, Caiado afirmou que os memorandos assinados com os Estados Unidos e o Japão têm como objetivo desenvolver tecnologia em Goiás e agregar valor à produção mineral no Brasil.

“Quem está vendendo é ele”, afirmou Caiado ao responder a Lula.

“Ele está entregando tudo, não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil, e nós continuamos a vender pau-brasil, como na época da colônia, ao vender nióbio, terras raras pesadas.”

O debate gira em torno da exploração de minerais críticos, como terras raras, estratégicos para a indústria de tecnologia e transição energética.

Goiás abriga a única mineradora de terras raras em operação no Brasil, a Serra Verde. Nesta semana, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 13,8 bilhões, entre pagamento em dinheiro e ações.

Segundo Caiado, atualmente toda a produção exportada pela mineradora goiana tem como destino a China, país que concentra grande parte do refino desses elementos. Com os acordos internacionais, a intenção seria exportar materiais já refinados, com maior valor agregado e potencial para impulsionar a indústria local.

No início do mês, Lula afirmou em entrevista que Caiado não poderia ter firmado esse tipo de acordo sem aprovação da União e declarou que “essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir”.

Conforme revelado pela Folha de S.Paulo, o memorando de entendimento assinado pelo governo de Goiás com o Departamento de Estado americano prevê o compartilhamento de dados produzidos em levantamentos geológicos de projetos apoiados pelos EUA com o governo norte-americano.

Integrantes do governo federal avaliam que a medida pode representar risco estratégico, ao compartilhar informações sobre reservas e potencial de exploração de minerais críticos com uma potência estrangeira, em um momento em que o Brasil ainda não possui um marco regulatório específico para o setor.

Durante o mesmo evento, Caiado também comentou, sem detalhar, sobre seus planos para a Petrobras caso seja eleito presidente.

Segundo ele, a estatal deve abandonar “monopólios que atrapalham o país”, citando a concentração da companhia na distribuição de gás natural no território brasileiro.

Caiado ainda defendeu a exploração de petróleo na margem equatorial e demonstrou preocupação com a dependência brasileira de fertilizantes importados.