
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), voltou a levantar suspeitas contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao insinuar que ele teria praticado lavagem de dinheiro. A declaração foi feita em um novo vídeo do programa “Café com Boulos”, divulgado nesta quarta-feira (6) nas redes sociais.
Na publicação, Boulos afirma que o parlamentar teria utilizado uma loja de chocolates para movimentar recursos de origem suspeita. “Isso levou à suspeita mais do que óbvia de que esse dinheiro não vinha da loja de chocolate. E foi isso que ele fez na Kopenhagen da Barra da Tijuca”, declarou.
Segundo o ministro, depósitos em dinheiro ligados à franquia da Kopenhagen, aberta por Flávio Bolsonaro em 2015, chamam atenção pela frequência e pelos valores. Entre março de 2015 e dezembro de 2018, o estabelecimento teria registrado 1.512 depósitos em espécie, incluindo dezenas de operações nos valores de R$ 1.500, R$ 2.000 e R$ 3.000, que somavam montantes de até R$ 33 mil.
À época, transações superiores a R$ 10 mil exigiam comunicação aos órgãos de controle financeiro. De acordo com o levantamento citado, o fracionamento dos depósitos teria evitado esse tipo de notificação, já que apenas uma operação ultrapassou esse limite no período analisado.
O ministro também mencionou que retiradas realizadas por Flávio Bolsonaro como sócio teriam ocorrido nos mesmos dias em que os depósitos eram feitos na conta da empresa.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) já havia apontado que datas dessas movimentações coincidiam com o período em que o ex-assessor Fabrício Queiroz seria responsável por um suposto esquema de “rachadinhas”.
Flávio Bolsonaro e o sócio da franquia, Alexandre Santini, deixaram o negócio em fevereiro de 2021.
Em abril, Boulos já havia publicado outro vídeo associando o senador a um suposto esquema de lavagem de dinheiro, além de questionar a compra de imóveis em dinheiro vivo pela família Bolsonaro. “Operação com dinheiro vivo é constantemente associada à lavagem de dinheiro, a dinheiro ilícito. Se o cara vai roubar ou fazer um esquema, ele normalmente não vai fazer na conta bancária. Quando alguém compra um imóvel em dinheiro vivo, a tendência disso ser um dinheiro sujo e que a compra do imóvel é a lavagem do dinheiro é meio óbvia”, afirmou.



