“Setores vão se adaptar”, diz Hugo Motta sobre redução da jornada de trabalho

Deputado afirma que mudança é decisão política e destaca ganhos em qualidade de vida e produtividade

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (26) que a redução da jornada de trabalho no Brasil não deve gerar os impactos negativos apontados por parte do empresariado. Segundo ele, os setores econômicos tendem a se ajustar ao novo modelo.

Em entrevista à CNN Brasil, o parlamentar declarou que a mudança já é uma decisão política em andamento no Congresso e comparou a reação atual a outros momentos históricos de transformação no país.

“Lá atras, quando se acabou com a escravidão, se fez um exercício de previsão de que o país não suportaria. Da mesma forma está se construindo um clima de pessimismo sobre a redução. Eu tenho a plena convicção de que, quando o Congresso promulgar essa emenda constitucional, todos os setores irão se adaptar e nós estaremos aqui politicamente para ajudar os setores a se adaptarem O que há é a decisão politica de se fazer essa mudança”, disse.

Motta também rebateu o argumento de que a medida possa comprometer a produtividade. Para ele, o desempenho econômico está ligado a fatores estruturais, como tecnologia e ambiente de negócios, e não apenas à carga horária.

“Eu discordo dessa afirmação. Se a produtividade está baixa não é por uma classe trabalhadora que não trabalha. Pelo contrário, temos uma das maiores escalas do mundo. Aumentar a produtividade passa por uma discussão do país como um todo: investimento em tecnologia, industrialização e redução da burocratização. O discurso de que a redução é vilão para a produtividade não está correto”, afirmou.

O deputado destacou ainda que as particularidades de cada setor deverão ser tratadas em projeto de lei, permitindo ajustes conforme a realidade das atividades econômicas.

Além dos aspectos econômicos, Motta apontou possíveis ganhos sociais com a redução da jornada, como melhora na qualidade de vida dos trabalhadores e até impacto na diminuição de afastamentos por questões de saúde.