“Injúria racial e a necessidade de uma imposição legal” – Por Dra. Layana Mercês

Dra. Layana Mercês

“Dra, bom dia! Ontem participando de uma competição interna no campeonato de voleibol da minha escola, fui chamada de canguru africano. Essa situação vem sendo corriqueira no meu dia a dia, o que faço para evitar esses abusos?”

Constantemente me deparo com relatos como esses, que, ainda para nossa sociedade, é uma situação comum, baseada na questão do racismo estrutural.
Em janeiro de 2023, foi sancionada a lei de nº. 14.532, a qual equipara o crime de injuria racial ao de racismo, tornando-o imprescritível e inafiançável.
Apesar desta normatização constituir um grande avanço para a população negra, em razão de episódios recorrentes no âmbito do esporte, da cultura e até mesmo no ambiente educacional, ainda assim me deparo de forma cotidiana com situações abruptas que a imposição legal não consegue evitar.
Por ser uma mulher negra e ter conquistado de forma árdua minha graduação no curso de direito, hoje exercendo a profissão de advogada, sendo uma exceção do sistema, utilizo do meu conhecimento e das vivências ao longo dos últimos anos, para junto ao Sistema Judiciário ajudar aqueles pares que são vítimas do racismo e da injúria racial.
Embora a Justiça dos homens seja a maneira mais dura de conter o racismo, entendo que, o caminho mais eficaz para abolir de uma vez por todas esse nefasto ato, sem sombra de dúvidas, é compreender que todos somos iguais independente de cor, raça, sexo, origem ou religião.

Por, Dra. Layana Mercês.
OAB/BA 67.633

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