Uma mulher grávida de oito meses, em situação de rua e com infecção avançada, foi acolhida temporariamente por voluntários em Santo Antônio de Jesus, mas acabou retornando às ruas por falta de estrutura pública para mantê-la em segurança. O caso foi revelado pela líder comunitária Ana Maria, conhecida como “Ana da Sopa”, que atua diariamente nas ruas da cidade com ações sociais.

Segundo Ana, uma gestante foi encontrada no centro cultural recebendo um café de um morador. Sensibilizada, ela entrou em contato com a Secretaria de Assistência Social e conseguiu uma vaga emergencial no Aprisco, espaço temporário de acolhimento. No entanto, a mulher se decidiu a permanecer no local, dizendo que não queria retornar à sua cidade de origem, formada em Itapemirim ou Alagoinhas, e preferia permanecer em Santo Antônio.
Segundo Ana, a situação se agravou e a gestante precisou de atendimento médico. Ela foi levada pela equipe do SAMU até a Maternidade Luz Argolo, onde recebeu os primeiros cuidados, mas não pôde ser internada. Conforme informou à Andaiá FM, a médica informou que ela não poderia ficar internada na Santa Casa.
“Ela não tem uma infecção urinária comum. É uma infecção causada pelas condições da rua”, relatou Ana, visivelmente preocupada. Sem alternativa, a voluntária a acolheu por uma noite em sua própria casa, mas teve de deixá-la sob responsabilidade da Secretaria de Assistência Social por não ter condições de mantê-la, pois também cuida de uma criança com TDAH e imunidade baixa.
“Essa situação é de responsabilidade da Assistência Social, do município. Eu não tenho condição de abrigá-la em minha casa”, disse
Ana ainda revelou que a cidade não conta com uma casa de passagem equipada para receber gestantes em situação de vulnerabilidade.
“A prefeitura precisa ter um espaço para casos como esse. Não é justo deixar uma mulher grávida e doente sem acolhimento”, disse. Ela acrescentou que, até o momento, não sabe onde a gestante passou a última noite, nem está recebendo alimentação ou cuidados médicos adequados.


