A titular do Núcleo de Atendimento à Mulher de Santo Antônio de Jesus, a delegada Aline Freitas, avaliou positivamente a realização da audiência pública sobre o combate à violência contra crianças, adolescentes e a discussão de políticas públicas voltadas às mulheres no município. O evento foi promovido pela Câmara Municipal a partir de uma solicitação feita por ela à vereadora Tia Adriana, que acatou o pedido prontamente.

“Vejo de uma forma muito positiva que o Legislativo esteja interessado nesse assunto, que parece que só interessa às polícias e à rede de proteção a crianças e adolescentes, mas não é bem assim. Todos os órgãos precisam estar envolvidos”, afirmou a delegada durante sua participação.
Durante a audiência, a delegada chamou atenção para os altos índices de violência contra crianças e adolescentes registrados em Santo Antônio de Jesus, com base nos dados de 2023, publicados em 2024. Apesar de ainda serem parciais, as estatísticas colocam o município em uma posição preocupante no interior baiano.
Ela destacou que, embora o maio laranja concentre ações de combate à violência sexual infantil, o enfrentamento precisa ir além de datas simbólicas. “Saímos daqui com alguns encaminhamentos para que não fique só no maio laranja… que essas políticas públicas progridam e a gente possa apresentar números melhores no próximo ano”, disse.
A delegada também comentou a expectativa de ampliação do horário de funcionamento do Núcleo de Atendimento à Mulher, equipamento da Polícia Civil que ela atualmente comanda na cidade. A mudança, segundo ela, depende da alocação de efetivo, uma demanda que vem sendo discutida com a delegada-geral Luísa Campos Brito e com o atual delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana.
“Nosso problema é efetivo. Mas sempre a gente pode estar mexendo e relocando. E a nossa expectativa é que esse horário seja ampliado para que a gente possa atender a muito mais pessoas”, pontuou.
A Polícia Civil da Bahia, por meio da gestão anterior, já havia implantado 15 NEANs (Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher) no interior do estado, com previsão de chegar a 18 unidades até o fim de 2025.
Ao comentar os casos mais recorrentes em Santo Antônio de Jesus, a delegada revelou que meninas com pouca idade, muitas vezes incapazes de relatar a violência sofrida, aparecem com mais frequência nas estatísticas. “Infelizmente, as crianças com pouca idade e, na sua maioria, do sexo feminino, são maioria nessa triste estatística”, lamentou. “Mas os meninos também não escapam dessa violência.”
Ela ressaltou que as vítimas mais vulneráveis geralmente têm entre 0 e 6 anos, faixa etária que demanda maior atenção da rede de proteção.


