Santo-antoniense e diplomata, Jackson Lima emociona ao contar trajetória durante entrevista 

Natural de SAJ e atuando na Embaixada do Brasil na Nigéria, Jackson Lima revelou as dificuldades e o preconceito.

Foto: Reprodução / Blog do Valente

O diplomata baiano Jackson Lima, natural de Santo Antônio de Jesus, concedeu uma entrevista especial ao programa Levante a Voz, da Rádio Andaiá FM. O âncora Léo Valente destacou o orgulho de ver um santo-antoniense ocupar um dos cargos mais prestigiados da diplomacia brasileira. Jackson, hoje diplomata na Embaixada do Brasil na Nigéria, relembrou sua trajetória marcada por dificuldades, preconceito e superação.

Durante a conversa, Jackson contou que nunca abriu mão de suas raízes. Revelou que, mesmo vivendo fora do país, volta à cidade a cada três meses para visitar a mãe, a família e reafirmar seus vínculos.

“Não faço questão de perder essa conexão. É aqui que tudo começou”, disse.

Filho de uma professora e de um carteiro, o diplomata estudou em escolas públicas e trabalhou como ajudante de pedreiro. Jackson relembrou que sonhava em ser diplomata desde cedo, mas sabia que, por ser negro, pobre e do interior, muitos consideravam esse sonho impossível. Formou-se em Letras-Inglês pela UFBA e tentou o concorrido concurso do Instituto Rio Branco várias vezes.

Na terceira tentativa, graças ao Programa Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, voltado a candidatos negros e pardos, ele conseguiu se preparar e foi aprovado.

Ao vivo na rádio, Jackson disse que resolveu contar sua história com detalhes para inspirar jovens de Santo Antônio de Jesus e da região.

“Quero que as pessoas saibam que é possível. Eu sou prova de que, com esforço, autoestima e oportunidades, dá para chegar lá”, afirmou.

Léo Valente destacou que a história de Jackson deve ser conhecida por toda a cidade, principalmente por mostrar que origem humilde não impede grandes conquistas.

Jackson já representou o Brasil na Zâmbia e na Nigéria e está prestes a assumir missão na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos. O diplomata possui dois mestrados, quer fazer doutorado e defende a diversificação racial no Itamaraty. Ele lembrou que, quando se formou, apenas 5% dos diplomatas eram negros.