Empresário critica modelo e afirma que redução do governo no preço dos combustíveis não chega ao consumidor

Em entrevista à Rádio Andaiá FM, empresário atribuiu às distribuidoras a retenção de parte da diferença que deveria chegar ao consumidor final.

Foto: Edvaldo

O empresário Edvaldo do Atacadão, proprietário de um posto de combustíveis localizado às margens da BR-101, nas proximidades de Santo Antônio de Jesus, afirmou que as reduções de preços anunciadas pelo Governo Federal não têm sido repassadas ao consumidor final. Em entrevista concedida ao programa Levante a Voz, da Rádio Andaiá FM, ao apresentador Léo Valente, ele apontou as distribuidoras como responsáveis por reter parte dessa diferença.

Segundo Edvaldo, o governo tem atuado para segurar aumentos nos preços praticados pela Petrobras, o que deveria resultar em combustíveis mais baratos nas bombas. No entanto, ele afirma que essa redução não chega de forma integral ao consumidor.

“O governo tem segurado o aumento na Petrobras, porque ela deveria estar aí trabalhando na paridade mais de R$ 1,50. Ficaria aí com a diferença para aCelen de R$ 0,50. Só que as distribuidoras estão segurando essa margem”, declarou.

De acordo com o empresário, em outros estados brasileiros os combustíveis chegam a ser entregues pelas refinarias com preços até R$ 2 mais baixos para as distribuidoras. Apesar disso, ele afirma que essas empresas mantêm valores próximos aos praticados no mercado internacional, ampliando suas margens de lucro.

“O governo pensa que isso está chegando ao consumidor. Que está chegando ao consumidor, mas no meio do caminho tem alguém transformando isso em lucro”, disse.

Edvaldo também levantou questionamentos sobre o modelo atual de distribuição e relembrou o período em que a Petrobras controlava toda a cadeia do combustível, incluindo exploração, refino e distribuição. Para ele, esse formato permitiria maior controle sobre os preços em momentos de instabilidade.

“A Petrobras fazia toda a cadeia do combustível, que é a exploração, o refino e a distribuição. Isso dava ao governo brasileiro uma condição de um estado de guerra […] o preço chega na bomba”, afirmou.

O empresário ainda citou a venda da rede de postos da estatal para a Vibra Energia, destacando que, na avaliação dele, parte dos preços subsidiados estaria sendo absorvida pelas distribuidoras.

“A Petrobras vendeu os postos para uma distribuidora que chama Vibra. E a Vibra tem embolsado boa parte desses preços subsidiados pelo governo federal”, concluiu.

A discussão sobre os preços dos combustíveis segue como um dos principais temas econômicos do país, envolvendo fatores como política de preços, mercado internacional e a atuação de diferentes agentes da cadeia de distribuição.