Traqueostomia: o que é e quais são os riscos do procedimento em pacientes com covid-19

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Você sabia que 10 a 15% dos infectados pelo novo coronavírus necessitam de ventilação mecânica invasiva? Essa necessidade do suporte ventilatório costuma ser prolongada, em média 21 dias, e por isso muitos pacientes precisam fazer a cirurgia de traqueostomia. Nesse procedimento, uma comunicação artificial é feita entre a traqueia e o meio externo.

A traqueostomia é indicada justamente em casos de dificuldade respiratória e entubação prolongada. Ela é realizada através de uma incisão no pescoço, em que após a abertura da traqueia é inserida uma cânula que permitirá a passagem do ar até os pulmões.

O procedimento tem sido indicado em casos mais graves de infecção por covid-19 associados a longos períodos de internação em UTI e ventilação mecânica prolongada.

“Entre os benefícios da traqueostomia estão o auxílio no desmame da ventilação mecânica, o que diminui o risco de pneumonia bacteriana e prevenção de complicações associadas à intubação prolongada, como estenose de traqueia. Ela também permite menor necessidade de sedação, maior conforto ao paciente e facilidade na manipulação e limpeza das vias aéreas”, explica o Dr. Pedro Leite, especialista em Cirurgia Torácica Oncológica do Instituto Baiano de Cirurgia.

De acordo com o médico, na maioria dos casos a traqueostomia é temporária, pode ser usada por tempo indefinido e sua retirada dependente principalmente da resolução da causa de base.

“Após a recuperação da função respiratória do paciente são realizados alguns testes clínicos para avaliar a possibilidade da retirada da cânula de traqueostomia. É muito importante que o paciente tenha um acompanhamento médico especializado regular tanto para seguimento e orientações dos cuidados básicos, como para o planejamento da retirada da traqueostomia”, esclarece Dr. Pedro Leite.

  • Riscos 

Mesmo sendo um método seguro e de baixo risco, Dr. Pedro aponta os efeitos adversos da cirurgia. Apesar de ser incomum, ela não está isenta de complicações como sangramentos e infecção local ou até mesmo problemas graves como lesão da traqueia e esôfago.

A estenose de traqueia aparece como mais um risco, e pode acontecer quando os pacientes ficam internados com entubação orotraqueal por muito tempo. Mesmo aqueles que são submetidos à traqueostomia também não estão livres dessa possível complicação.

Após receberem alta, os traqueostomizados devem manter os cuidados locais com a cânula. “É necessário realizar aspirações para a remoção de secreção, substituições de cânula periodicamente e inalação para ajudar a expectoração”, orienta o cirurgião torácico.

A traqueostomia também é uma das técnicas com mais risco de contaminação da covid-19 à equipe médica, afinal estes profissionais da saúde manipulam diretamente a via aérea do paciente.

“Para aumentar a segurança, utilizamos os equipamentos de proteção individual como gorro, máscara, avental descartável, luvas, óculos, faceshield, bota e elmo, além de evitar o uso de bisturi elétrico, associado a maior dispersão de aerossóis, e uso de sedação e bloqueador neuromuscular, uma medicação venosa que evita a tosse do paciente durante o procedimento”, relata o cirurgião torácico.

 

*ibahia.Ba