Após quase 12 anos, será realizado terça- feira (19), às 8h, na 1ª Vara do Júri, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o júri popular sobre a explosão da fábrica de fogos de artifício que matou 64 trabalhadores em Santo Antônio de Jesus. Serão julgados o proprietário da fábrica de fogos, Osvaldo Prazeres Bastos, além de outros sete réus integrantes da mesma empresa, que funcionava de forma ilegal.
A fábrica explodiu em dezembro de 1998 e pertencia ao empresário Osvaldo Prazeres Bastos, conhecido como Vardo dos Fogos. Junto com seus familiares, Vardo dos Fogos continua à frente da produção ilegal de fogos de artifício em Santo Antônio. Até hoje, o empresário e outros acusados não foram responsabilizados pelo crime que resultou na morte de 64 pessoas. As vítimas eram, em sua maioria, mulheres, jovens e crianças. Dezenas dessas crianças ficaram órfãs, pois vários dos mortos eram pessoas da mesma família. A população local aguarda por justiça.
Diante da ausência de fiscalização e da impunidade, em 2001 o Movimento 11 de Dezembro, o Fórum de Direitos Humanos de Santo Antonio de Jesus, a ONG Justiça Global e outros, apresentaram a denúncia sobre o caso na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Desde então o Brasil é réu frente à Comissão Interamericana no caso conhecido como Explosão de Fábrica Clandestina de Fogos de Artifício (Caso 12.428).
Santo Antonio de Jesus é conhecido pela produção ilegal de fogos de artifício. A atividade é feita, em sua maioria, de forma clandestina seja em fábricas sem autorização para funcionamento, em fundos de quintais ou até mesmo nas residências dos trabalhadores recrutados para tal fim. Os trabalhadores não recebem as mínimas condições de segurança e são super explorados por grandes comerciantes da região, ganhando R$ 0,60 a cada mil fogos produzidos.
OUTROS CASOS – Em 27 de março de 2007, uma nova explosão em uma fábrica de fogos de artifício, resultou a morte de Sólon dos Passos, que teve 90% do seu corpo queimado. Em fevereiro de 2008, Roberto Carlos Barbosa dos Santos, 34 anos e Jefferson Ramos Santana, 14 anos, também morreram em conseqüência de outra explosão em fábrica ilegal de fogos. (Com informações da Justiça Global)



