Enquanto a PolÃcia Federal mobilizava agentes para deflagrar no Brasil a Operação Alquimia, há duas semanas, o empresário baiano Paulo Sérgio Costa Pinto Cavalcanti, principal alvo dos policiais, assistia a tudo muito bem instalado na região da GalÃcia, noroeste da Espanha. Ele é proprietário da Sasil Comercial e Industrial de PetroquÃmicos Ltda., acusada de encabeçar uma sofisticada rede de compra e venda de produtos quÃmicos que prosperava com a sonegação de impostos. Pelo menos 1 bilhão de reais foram surrupiados dos cofres públicos. Do outro lado do Atlântico, Cavalcanti não estava sozinho. Tinha a ilustre companhia de James Correia, secretário da Indústria Comércio e Mineração do governo da Bahia, e de Carlos Seabra Suarez, ex-sócio da construtora OAS e poderoso empresário do ramo imobiliário e de energia.
Os conterrâneos aproveitavam a temporada na Europa para desfrutar de uma festa que a famÃlia de Suarez promove anualmente naquela região da PenÃnsula Ibérica. Ao saber que a devassa em seu patrimônio havia começado, Cavalcanti decidiu entregar-se na segunda-feira, 22 de agosto â cinco dias depois da operação. Três dias antes, na sexta-feira, James Correia desembarcou em Salvador com um discurso ensaiado: âA Operação Alquimia foi mais uma operação pirotécnica da PFâ, discursou durante uma entrevista ao site Bahia Econômica. “à preciso colocar nariz de palhaço para acreditar que a Sasil, que fatura 500 milhões de reais por ano, vá sonegar impostos no montante de 1 bilhão de reaisâ.
ENTENDA O CASO
A Sasil é investigada por patrocinar a criação de centenas de empresas de fachada que, usando âlaranjasâ, compravam lotes de insumos petroquÃmicos sem pagar impostos e os repassavam para a Sasil. Quando a Receita Federal aparecia para cobrar a dÃvida, as empresas fantasmas decretavam falência. Como a lei impede a dupla tributação sobre os produtos, a Sasil permanecia livre dos impostos. O valor lucrado com a sonegação era repassado a Cavalcanti por meio da Sasil e enviado a paraÃsos fiscais. De posse de empresas estrangeiras sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, o mesmo dinheiro era enviado de volta à s empresas ligadas a Cavalcanti.
(Fonte:Veja – 01 de Setembro)



