Ex-deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 1958, e considerado um dos grandes nomes do comunismo no paÃs – pela sua destacada atuação contra a ditadura militar nos anos 1960, quando já integrava os quadros do extinto Partido Comunista Brasileiro (PCB), o âPartidãoâ, – o também engenheiro civil de formação, Fernando Santâanna morreu, no final da tarde desta quinta-feira (1) em Salvador, vÃtima de um infarto fulminante, aos 96 anos. O ex-parlamentar, que estava internado no Hospital Português, era considerado, por seus pares, um dos últimos âcomunistas históricosâ vivos. Santâanna morreu no ano em que a corrente de pensamento (o comunismo) completaria 90 anos (em 25 de março).  âEle foi contemporâneo de praticamente todas as gerações de comunistas do Brasil, nos últimos 60 anos. Era um exemplo de homem inspirado, mais pelas suas ideias do que por tantas outras virtudes. Firmes em seus ideais, com forte ligação com os interesses nacionais e um vigilante dos anseios do povo, Fernando Santâanna era uma figura rara. Ã, sem dúvida alguma, uma grande perdaâ, lamentou, na noite desta quinta, por telefone, o deputado federal e presidente regional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Daniel Almeida. Natural de Irará, nascido em 1915, foi um dos primeiros opositores cassados pelo regime militar. Segundo a senadora LÃdice da Mata (PSB), Fernando Santâanna era uma referência ética de um tempo que se fazia polÃtica com belas ideias. âEle era uma legenda da Bahia. Um comunista que representou contra o status quo dominante de uma época. Contestador de todos os chamados âvaloresâ de uma média da sociedade. Um homem amplo, patrimônio do Estadoâ, disse a senadora. Em 1988, foi um dos mais combativos constituintes, integrando a Comissão da Ordem Econômica da Constituinte. Desde o inÃcio da década de 90, era o presidente de honra do Partido Popular Socialista (PPS). O enterro dele será no Jardim da Saudade, em Brotas. O horário ainda não foi definido. Â
Fonte: A Tarde





