Mulheres deixam estereótipos de lado na hora de escolher profissão

Durona. É assim que se define a professora de boxe Wha-Li Wang – “aportuguesado” para Ruilí, 41 anos. “Sou durona em casa e no trabalho”, afirma. Filha de um chinês com uma japonesa, ela nasceu no Recife e conheceu seu atual marido em uma academia, aos 16 anos. “Ele era meu professor de taekwondo. 'Bateu' na hora. Um ano depois nos casamos e, no ano seguinte tive um filho”, contou. Hoje, são três rebentos, dois meninos e uma menina. Após o casamento, Wha-Li dedicou-se ao lar. Há 11 anos, resolveu voltar aos treinos, agora, de kickboxing kyokushinkaikan, uma modalidade inspirada no karatê japonês. Virou faixa preta na arte marcial. “Há três anos dou aula de boxe. Nunca senti preconceito por ser mulher nessa profissão, porque as pessoas conhecem meu trabalho e sabem que eu sei o que estou fazendo”, assegura. Entre os alunos, a maioria é homem. “A verdade é que as meninas, geralmente, não aguentam o ritmo dos treinos. E os meninos nunca faltaram o respeito comigo, porque sou séria no trabalho, faço cara de má. E, se fizerem alguma indisciplina, mando pagar 20 flexões”, brinca a professora. “No começo, eu estranhei o professor ser uma mulher. A primeira aparência é que ela vai pegar mais leve, mas é o contrário. Tive que dar o braço a torcer”, admite o aluno Dinarte Carvalheira. Na hora de posar para as fotos, ela capricha na cara de brava. Depois que confere o resultado, o riso aparece: “saí com a cara gorda”, “o cabelo está tão curto.” Coisas de mulher, que nem um esporte “durão” é capaz de reprimir. Tanto é que, debaixo das luvas, há unhas bem pintadas de azul claro. “A gente não pode perder a feminilidade nunca”, comenta. Mesmo dando aulas de boxe, Wha-Li não abandonou os afazeres domésticos. É uma espécie de Amélia moderna. “Continuo fazendo tudo em casa, não tenho empregada. Sou perfeccionista, quero tudo do meu jeito. Também controlo de perto os meus filhos. Sou bastante autoritária. Também não podemos dar moleza aos homens, ao marido. Só não posso dar um soco nele quando tenho raiva porque ele é mais graduado que eu”, explica, aos risos. Fonte: G1