Espuma do teto da boate foi a causa da morte das 235 pessoas, diz delegado

A espuma usada no teto da boate Kiss, altamente inflamável e que produz gás cianídrico quando entra em combustão, foi a causa da morte das 235 vítimas do incêndio da boate Kiss, na madrugada de domingo. A conclusão da polícia se baseou em mais uma sessão de perícia nos escombros da casa noturna, realizada nesta quinta-feira, e que recolheu restos do material que não queimou no incêndio. A espuma, usada especialmente sob o teto do palco, ocupava cerca de um terço da área da boate, de 615 metros quadrados. Nas áreas onde não havia espuma, segundo a investigação da polícia, praticamente não houve danos causados pelo incêndio.

Para agravar a situação, um material químico utilizado normalmente sobre a espuma acústica para evitar combustão, chamada de retardante, não foi aplicada preventivamente sobre a instalação. O delegado Marcelo Arigony, que comanda a investigação, foi taxativo quanto ao risco de se utilizar o tipo de material encontrado na boate.

– É um produto que queima muito rápido e que produz gás cianídrico. Se o material não existisse lá, talvez nós tivéssemos apenas um foco pequeno de incêndio que seria facilmente debelado. Informações preliminares apontam que esse material deve ser usado com um produto retardante, para evitar queima, e pela característica do episódio é possível supor que não havia esse material sobre a espuma. Parece que não estava regular ? afirmou Arigony.

A espuma foi instalada na boate em agosto, depois do vencimento do alvará de prevenção e proteção contra incêndio emitido pelos bombeiros em 2011. Segundo o advogado Jader Marques, que representa um dos donos da boate, a taxa de vistoria foi paga aos bombeiros no dia 19 de outubro do ano passado mas a fiscalização para gerar um novo alvará não foi feita. Em novembro, de acordo com ele, o pedido foi renovado mas, novamente, não foi atendido pelos bombeiros.

A investigação policial, segundo Arigony, ainda não descobriu quem instalou o teto acústico da boate Kiss e nem se havia um projeto técnico ou um profissional responsável pela reforma. O delegado informou também que não encontrou, nos documentos remetidos pelos vários órgãos envolvidos na liberação do espaço, um plano de proteção e combate a incêndio. O PPCI é indispensável para a emissão do alvará dos bombeiros.

– Dentre os documentos encaminhados, numa análise preliminar, nós ainda não encontramos o plano de prevenção. Oficiamos para dez instituições. Estamos pedindo este plano para a prefeitura e para os Bombeiros. Não sabemos nem quem tem este plano – disse ele.

Mais cedo, o delegado postou, em seu perfil no Facebook, uma foto em que três pessoas aparecem segurando um objeto que lança labaredas de fogo, no que seria a boate Kiss. (OGlobo)