Mesmo sem gostar, foliões usam criatividade na hora de encarar os sanitários químicos

Em Apocalipse, o apóstolo João descreve o que chama de ?segunda morte?, que viria após o Juízo Final: ?Aos incrédulos, aos abomináveis e aos mentirosos, o tormento e o ranger de dentes?. Certamente, João jamais usou um dos dois mil banheiros químicos no Carnaval de Salvador. Se fizesse, incluiria na sua lista de sofredores os foliões. 

São eles que, ao se aliviarem em pleno circuito, morrem não uma ou duas, mas várias vezes na mesma noite. Tanto que há os que trocariam aqueles cerca de 60 segundos de sofrimento por uma eternidade no inferno.?Rapaz, isso aí é fim de mundo. O que a gente fez para merecer isso??, questiona o gestor de viagens Fábio Cunha, 27 anos, depois de se salvar do suplício de usar um dos banheiros que ficam entre as ruas Afonso Celso e Marques de Leão, na Barra. De fato. É para pagar os pegados do Carnaval inteiro. TécnicasMas, há sempre os profetas da criatividade. Para esses, ir ao banheiro é um ato planejado. São estratégias para sofrer menos. ?O negócio é não tocar em nada. Uso a ponta do dedo mindinho para fechar a tranca. Isso quando não tem ninguém para segurar por fora?, diz a estudante de Nutrição Ariana Silva, 20, que contou com ajuda do namorado. Existem, inclusive, técnicas para passar o menor tempo possível no cubículo. (Correio)