Instituto aponta que 52% dos moradores de bairros pobres têm acesso à internet

De cabeça baixa e um smartphone em cada mão, a estudante Débora Moura, 22 anos, caminha pelo Calabar. ?Tenho que ficar ligada o tempo inteiro para atender a meus clientes?, justifica a moça, que faz doces e salgados nas horas vagas. Ao chegar em casa, mostra à reportagem o restante dos eletrônicos: tablet, notebook, computador de mesa e TV de plasma com TV por assinatura. E conta o que mais gosta de fazer quando está conectada:  ?Facebook é o que eu uso mais?, diz, antes de ser interrompida pelo irmão Daniel,  13 anos: ?Mentira, ela vive pendurada no Whatsapp, falando com o namorado?.

Diante do testemunho, Débora admite: é mesmo uma usuária compulsiva do aplicativo de troca de mensagens. Tanto que abandonou o hábito de ir até a casa das primas e da afilhada, na vizinhança, quando quer encontrá-las. ?A gente tem um grupo do Whatsapp e se fala?, revela.

Débora é apenas uma das 11,7 milhões de pessoas que vivem em favelas em todo o Brasil. Só para efeito de comparação, toda a população da Bahia, o quarto maior estado do Brasil, é de 14 milhões. Do  total do estado, entre 5% e 10% vivem em favelas, segundo pesquisa do Data Favela, um instituto de pesquisa criado para mapear a realidade das favelas brasileiras.

O levantamento descobriu que, como Débora, 52% dos moradores dessas comunidades têm acesso à internet.  Desse universo, 78% se enquadram na mesma faixa etária que a moça, ou seja, entre 16 e 29 anos. Também são os mais jovens os que mais utilizam os smartphones para acessar a internet: 50% do total de usuários de celular. 

E quem é capaz de adivinhar o que toda essa juventude faz na internet? Acertou quem apostou nas redes sociais. O estudo mostra que 85% dos internautas das favelas têm Facebook. Já o Whatsapp, que Débora tanto usa para falar com o namorado e as primas, ainda é menos popular: 12%.

No quesito TV por assinatura, o percentual de 28% dos domicílios das favelas que contam com o serviço pode até impressionar. Mas os programas preferidos dessa classe de telespectadores não são muito diferentes do resto da população: telejornais e novelas. (Correio)