Mancha no mar causa interdição em praia de Jauá

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aguarda o resultado da análise das amostras de água, peixes e algas colhidas no mar de Jauá (litoral norte), onde uma mancha escura foi vista um dia após a divulgação da mortandade de peixes em Aratuba (Ilha de Itaparica), dia 6 passado.

O resultado da análise, segundo o Inema, sai em até quatro dias. Ainda não se sabe se a mancha tem relação com o caso de Aratuba ou da praia do Corsário, em Salvador.

Mas, o fato é que o banho de mar em Juá é desaconselhado pela prefeitura de Camaçari desde sexta-feira, 7, após o aviso de salva-vidas sobre a mancha. A prefeitura usou faixas e placas alertando sobre a impropriedade do banho.

Pesca difícil

O pescador Marcos Moreno conta que os peixes desapareceram. “Pesco há muitos anos aqui e nunca vi algo parecido. Há três dias  não vejo um peixe sequer”, disse.Para ele, o aparecimento da mancha está ligado ao despejo de resíduos químicos das empresas das proximidades. “As fábricas não se preocupam com o meio ambiente, descartam o lixo de forma irregular,  as consequências são essas”, arriscou.

Antônio Ribeiro também acha que o mar pode estar contaminado. Segundo ele, que passa veraneio na região, o  cachorro que cria ficou doente após ter entrado em contato com o mar. “Ele não se alimenta mais e sai sangue nas fezes.  Deve ter bebido dessa água”, supôs.

A Cetrel, empresa responsável pela qualidade ambiental no Polo Industrial de Camaçari, não se pronunciou sobre o assunto. Apenas disse, por meio da assessoria de comunicação, que não existe  relação entre a mancha e as empresas do Polo.

A interdição da praia afetou o turismo, segundo a vendedora Josélia Maria dos Santos, 58 anos. Ela disse que  as vendas caíram pela metade na Praia do Grilo. “Os visitantes  querem apreciar o mar, se banhar,  a contaminação afasta qualquer turista”.