Cresce em 274% número de contratações das mulheres na construção civil

Quando se formou em Engenharia Civil, em 1992, Isabela Mota só tinha seis colegas mulheres na turma com quase 100 homens. Passados 23 anos, hoje, aos 46 anos,  ela é engenheira gerente de obras e comanda uma equipe com 80 profissionais, sendo quase todos homens. 

A realidade de Isabela reflete a atenção maior do mercado da construção civil pela contratação de funcionárias. Dados do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA) indicam que o número de mulheres empregadas no setor da construção no estado saiu de 3.788, em 2002, para 14.176, em 2013, o que significa alta de 274% no período.

Ao longo desse período, houve evolução nas funções exercidas pelas mulheres nas obras, que não estão mais restritas aos trabalhos de limpeza. O presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), Luciano Muricy,  destaca que tem havido o favorecimento no mercado para a oportunidade feminina, incluindo as lideranças.

“A gente tem que dar chance a mulher para ingressar na construção civil. Muitas empresas, inclusive, já utilizam o trabalho da mulher na área de limpeza, por exemplo. Nada impede também que elas assumam cargos de liderança. Há muitas engenheiras no mercado”.

É o caso da engenheira Isabela que começou  a atuar na área em 1990 como estagiária. “Nunca sofri preconceito direto por ser mulher, mas sei que isso existe muito forte principalmente quando a mulher assume um cargo de chefia”, argumenta. Atualmente, ela é responsável pela construção do Civil Towers, duas torres com 15 e 24 andares no bairro do Costa Azul. 

Para driblar o preconceito da liderança feminina dentro das obras, Isabela indica que o segredo é o conhecimento e a gentileza. “Sempre busquei o conhecimento e tratei homens e mulheres que trabalharam comigo com atenção e cuidado.  Busco sempre me aproximar da equipe e procurar ter aprendizado relacionado a minha área”, explica Isabela que já possui uma especialização, está indo para o segundo custo de MBA e já planeja fazer um mestrado. 

A Civil, empresa na qual Isabela trabalha, possui cerca de 12% do seu quadro composto por colaboradoras. De acordo com o diretor de obras da Civil, Welligton Santos, as mulheres demonstram uma preocupação com os detalhes e acabamento do trabalho, realizando os serviços com mais cuidado e evitando o desperdício de material. “Isso faz com que as obras sejam executadas com mais qualidade e economia também”. (Correio)