Em dia de instabilidade, bolsa fecha em alta de 0,52%

Em dia marcado pela instabilidade, a bolsa de valores brasileira conseguiu interromper uma sequência de três quedas consecutivas e fechar as operações em patamar positivo. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou as operações em alta de 0,52%, aos 48.848 pontos e com um volume negociado de R$ 7,754 bilhões.

No índice, os setores com melhores desempenhos foram petróleo/petroquímico, serviços financeiros, bancos, e infraestrutura. Agora, o Ibovespa acumula uma desvalorização de -5,30% no mês, -2,32% no ano, e ganho de 8,64% em 12 meses.

Em dia final do vencimento do exercício no mercado de opções sobre ações, o índice da bolsa brasileira apresentou abertura cadente e operou a maior parte do pregão em baixa, para somente na hora e meia final firmar-se definitivamente em campo positivo, motivado pela manutenção dos ganhos das bolsas de Nova York. “O índice chegou a vir abaixo dos 48 mil pontos, assim como ocorreu na última sexta-feira (13), por conta das oscilações nos papéis da Petrobras e da Vale, que são carros-chefes de opções”, diz a equipe de análise do BB Investimentos, em relatório. Ao fim do dia, o exercício de contratos de opções sobre ações movimentou, no segmento Bovespa, um total de R$ 2,11 bilhões, dos quais R$ 1,308 bilhão em opções de venda e R$ 804,281 milhões em opções de compra.

A ação mais negociada do dia, da Petrobras (PETR4), fechou com alta de 1,93%, a R$ 8,46, e ajudou a puxar a alta do índice. Por outro lado, a Vale (VALE5) caiu 0,3%, a R$ 16,43 depois da autuação pelo governo federal, sob acusação de trabalho análogo ao de escravo praticado por uma empresa terceirizada em Minas Gerais.

Nos Estados Unidos, a produção industrial veio aquém das expectativas, assim como a utilização capacidade instalada. “Os dados instigaram as altas das bolsas de Nova York, visto que amenizaram, em certo grau, preocupações em relação a uma possível antecipação da elevação de juros pelo Fed”, dizem os analistas, ressaltando que o Fomc (o Copom norte-americano) decidirá sobre política monetária na próxima quarta-feira (18). Na China, citações do primeiro-ministro, Li Keqiang, no encerramento do Congresso Nacional do Povo do Partido Comunista, que a economia passa por considerável pressão de baixa e que o governo tem ferramentas para enfrentar a desaceleração, aventaram hipóteses que poderá ocorrer alguma forma de estímulo econômico.

Depois de fechar a semana passada cotado em R$ 3,249, com três altas seguidas, o dólar iniciou esta semana com uma queda de 0,14%, encerrando a segunda-feira a R$ 3,245. Na sexta-feira, a moeda americana chegou a valer R$ 3,28 ao longo do dia, antes de fechar em R$ 3,249, ainda assim a maior cotação desde abril de 2003. O dólar acumula alta de 13,6% no mês e de 22% no ano. Segundo informações da agência de notícias Reuters, investidores se anteciparam às manifestações e correram para buscar proteção na sexta-feira, mudando de estratégia nesta segunda, o que ocasionou a baixa da moeda.

Também existe a expectativa quanto a reunião do Federal Reserve. A recuperação da economia dos Estados Unidos, que aumenta a possibilidade de elevação dos juros americanos, tem feito o dólar se valorizar em relação a várias moedas. Juros mais altos nos países desenvolvidos reduzem o fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil, pressionando o dólar para cima.

Em meio a tal quadro, o Banco Central brasileiro manteve seu programa de intervenções no mercado de câmbio, com a venda de 2 mil contratos de swap cambial tradicional – sendo 550 contratos com vencimento em 1º de dezembro deste ano, e outros 1.450 para 1º de março do ano que vem.

A autoridade monetária também efetuou um leilão para rolagem dos contratos que vencem em 1º de abril. Foram vendidos 1,5 mil contratos para 1º de junho de 2016 e 5,9 mil contratos para 3 de outubro de 2016, com volume equivalente a US$ 350,7 milhões.

Para terça-feira, os analistas aguardam a publicação do IGP-10 (Índice Geral de Preços ? 10) e o índice de confiança industrial no Brasil; dados de construção de casas novas e alvarás para construção nos Estados Unidos; a pesquisa ZEW de expectativas na Alemanha; o índice de preços ao consumidor na zona do euro; e o índice antecedente e a balança comercial do Japão.

Fonte: Reuters e Agência Brasil