Agudiza-se o a crise política no país de tal forma que a presidente Dilma Rousseff, pela primeira vez, declarou que ?não pretende deixar o cargo por manobra golpista?. Não é exatamente isso o que está acontecer. Ela passou a entender que a sua situação não é das melhores ao afirmar que ?eu não vou cair?. E certamente não irá, embora a possibilidade do impeachment tenha retornado à ordem do dia a partir de uma possível decisão de o Tribunal de Contas da União, caso venha reconhecer, lá para o mês de setembro, que houve de fato ?pedaladas fiscais?, uma saída utilizada no seu primeiro governo e agora no segundo, para resolver as dificuldades financeiras do governo. São remotas, muito remotas, as possibilidades de golpe ? isso nem pensar – e também do impeachment que é acolhido na Constituição do país. Tal como aconteceu com Fernando Collor, agora envolvido em delações pelo recebimento de propinas, algo em torno de R$ 20 milhões, segundo se propala, o que o assombra com a hipótese de ter o seu mandato de senador cassado. Mais uma vez.A presidente experimenta momentos de isolamento político dos partidos aliados, inclusive, do PT, onde existem, e abertas, dificuldades de entendimento entre ela e Lula, responsável pelo cargo que ocupa como é do conhecimento. Ele a elegeu e dela no momento se distancia. E se distancia porque o PT, partido que fundou, atravessa momento de extrema dificuldade e parece estar praticamente no chão, sem a aura que antes aparentava e de fato a tinha, quando que crescia o número de adeptos a cada eleição.A posição do partido é muito difícil. No Congresso está a perder embates e confrontos, praticamente a cada dia. A legenda deteriora seu lastro de sustentação. Agora, o partido sequer sabe se levará Dilma ? se é que pretende levar ? até o final do seu segundo mandato. A questão é que a presidente também se afastou da legenda e não acata a sua linha ideológica, como é fato a partir das mudanças que estão sendo feitas no seu segundo governo, que penaliza, e muito, a população de maneira geral.Não se trata como diz de uma crise internacional. Os Estados Unidos voltaram a crescer e a União Européia até certo ponto apresenta uma economia positiva, embora alguns países enfrentem dificuldades, a exemplo de Portugal, Espanha e, principalmente, como é sabido por estar na ordem do dia, a combalida Grécia. O futuro econômico deste último país é uma incógnita que reflete na sua população, especialmente nos seus aposentados que estão enfrentando seríssimas dificuldades.Portanto, Dilma Rousseff falar em crise internacional é uma falácia, uma engabelação. Na verdade é resultado da incompetência do seu primeiro governo. A crise brasileira é resultado de erros que estão sendo pagos pela população de modo geral, pelos cortes (necessários) nos gastos de programas anunciados, como é exemplo a tal ?pátria educadora?, quando os recursos para a educação e a saúde foram cortados e as universidades brasileiras atravessam extremas dificuldades.Não é só. O desemprego a cada dia se torna maior, a inflação aumenta, as dificuldades apertam a população e não se sabe quando estancará a crise. A princípio, ela dizia que no fim deste ano o país começaria a retornar à normalidade, o que é mais uma falácia. Tal situação desponta com mais intensidade nas camadas de menor renda, o que relembra os problemas do passado, especialmente dos anos 80 quando José Sarney presidia o país.Aqui na Bahia, o governador Rui Costa certamente não tem do que se queixar em relação à presidente, na medida em que ele diz que o estado está sendo bem tratado e tem recebido recursos do governo da República. Espera-se que sim, porque de certo modo a federação com um todo se empobrece e se endivida.Em relação ao governo municipal de Salvador, o prefeito ACM Neto certamente não pode dizer a mesma coisa. A ?pátria educadora? abandonou até as creches da cidade, deixando-as sem dinheiro. As creches são fator básico para a formação das crianças. A nova geração que surge e chega à idade da procura de emprego enfrenta seríssimas dificuldades como é visível claramente. Principalmente os jovens da periferia. É o retorno ao passado.A saúde repete a ladainha enfrentando problemas em conseqüência dos cortes efetuados pelo governo central. A presidente foi à Rússia para uma reunião com os Brics, que já não são emergentes. Espera-se no seu retorno e o que ela dirá além das baboseiras de sempre por estar politicamente ilhada. (Bahia Notícias)
* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (9) do jornal A Tard



