O dólar comercial segue em trajetória de alta nesta sexta-feira e renova as máximas em 12 anos. As 12h22, a moeda americana era cotada a R$ 3,318 na compra e a R$ 3,320 na venda, uma alta de 0,72% frente ao real. É a primeira vez desde março que a divisa é negociada acima dos R$ 3,30. Na máxima do pregão, a cotação atingiu R$ 3,341, maior valor desde 1º de abril de 2003, quando atingiu R$ 3,360. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em terreno negativo, com o Ibovespa caindo 2%, aos 48.810 pontos.
Esse movimento de desvalorização dos ativos brasileiros ainda está atrelado à redução da meta de superávit primário (economia feita para o pagamento de juros da dívida), anunciada pelo governo na quarta-feira. Só o dólar, no ano, acumula uma alta de 24,7%. O entendimento é que o esforço fiscal não será suficiente para impedir o crescimento da relação entre a dívida e o PIB, um dos indicadores avaliados pelas agências de classificação de risco ao dar uma nota (rating) a um país.
Nem mesmo as declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reafirmando que o ajuste não foi deixado de lado foram suficientes para retirar a pressão sobre a moeda. O receio da perda do grau de investimento do Brasil aumenta a aversão ao risco, fazendo com que os preços do dólar e das ações negociadas na Bolsa tenham movimentos mais abruptos.
O mercado está ainda em um movimento de inércia com o anúncio da nova meta fiscal. Vemos um momento de continuidade de baixa do Ibovespa e o dólar subindo. É muita aversão ao risco e o investidor está antecipando a possibilidade dessa perda de grau de investimento ? explicou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.
Na avaliação da agência Standard & Poor?s, o rating do Brasil está apenas uma nota acima do chamado grau especulativo ? que aponta um investimento arriscado. E a expectativa é que tanto Moody?s como Fitch rebaixem a nota do Brasil a curto prazo. Em ambas, o país está dois degraus acima do nível especulativo. Se o Brasil perder o selo de bom pagador, os juros tendem a ficar mais caros.
O movimento de alta da divisa segue o movimento externo. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que avalia o comportamento de uma cesta de dez moedas frente ao dólar, opera em alta de 0,33%.
No cenário externo, dados ruins da China também colaboraram para o ambiente de aversão ao risco. Além disso, segue em dúvida se o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos irá ocorrer ainda este ano ou só no início de 2016. “No front externo, dados ruins relativos à atividade industrial da China em julho, divulgados nessa madrugada, renovam o pessimismo dos investidores”, explicou, em relatório a clientes, Ricardo Gomes da Silva, analista da Correparti Corretora de Câmbio. (O Globo)



