A Polícia Civil baiana ainda investiga se a morte por infarto da ialorixá Mildreles Dias Ferreira, de 90 anos, no dia 1º de junho, pode ter sido provocada por intolerância religiosa. Segundo parentes e amigos, Mãe Dede de Iansã, como era conhecida, comandava o terreiro de candomblé Oyá Deña havia 45 anos, no distrito de Vilas de Abrantes, em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, e infartou após uma vigília de evangélicos na porta do terreiro.
De acordo com a delegada Maria Daniele Monteiro, titular da 18ª Delegacia, mais de dez pessoas já foram ouvidas sobre o suposto crime de ódio. ?Existe a perturbação clara do sossego alheio. A questão da intolerância religiosa não está descartada, mas ainda estamos investigando. Moradores que foram ouvidos não confirmaram que evangélicos se concentravam na porta do terreiro?, afirma a delegada.
?Mãe Dede passou a madrugada da vigília em claro e na noite seguinte acabou morrendo. Gera desconforto e a gente sabe que falam muito em demônio, então, fica parecendo provocação. Mas fica complicado afirmar porque os cânticos são assim?, comenta Maria Daniele Monteiro.
A família da mãe de santo, no entanto, afirma que integrantes da igreja evangélica Casa de Oração Ministério de Cristo praticam perseguição religiosa contra frequentadores do terreiro desde que o templo começou a funcionar no local há pouco mais de um ano. ?Mesmo após a morte da minha avó, eles continuam com as provocações. Quando temos visitas, ficam provocando e gritam ainda mais alto com palavreados que prefiro nem reproduzir. Até caixa de som colocam fora da igreja?, conta Bárbara Cerqueira, neta de Mãe Dede. ( Terra Notícias)



