O fim de um casamento de 18 anos, uma história de traição, filhos impedidos de ver o pai por medida judicial… Em meio às mágoas que se revelam em provocações nas redes sociais ou declarações à imprensa, está em jogo na separação de Joelma e Chimbinha, da Banda Calypso, um enorme império brega, expresso em números que incluem mais de 15 milhões de discos vendidos, três indicações ao Grammy Latino, 60 funcionários e cerca de 140 shows por ano.
Nenhum dos dois parece disposto a deixar de lado o que representa a banda. A cantora, que segue em carreira solo com o nome Joelma Calypso, já disse em nota que seu novo caminho ?não implica em abrir mão da empresa Banda Calypso? ? ela afirma que seu objetivo ?é deixar a banda como herança para os nossos filhos?. Foi uma resposta ao fato de o guitarrista ter informado, em entrevista ao ?Fantástico?, há uma semana, que seguiria com o grupo, agora com nova vocalista. A nota de Joelma (que não quer dar entrevistas sobre o caso) rebate o ex-marido: ?nenhuma definição e divulgação do futuro da banda podem ser feitas antes de qualquer decisão judicial?.
? Quem saiu da banda? Em agosto, Joelma anunciou a separação e disse que ia sair da banda, sem conversar com Chimbinha antes ? lembra Mauro Neto, gerenciador de crises contratado pelo guitarrista. ? Até o dia 31 de dezembro, a vocalista da Banda Calypso é Joelma, porque devemos respeitar os contratos já firmados. A partir de 1º de janeiro de 2016, a banda terá uma nova vocalista. É Joelma quem está deixando a Calypso. Os termos da divisão da banda serão discutidos entre eles, mas a Calypso continua.
A referência à divisão da banda diz respeito a um documento divulgado por Joelma que diz que 60% do nome ?Banda Calypso? pertencem a ela, e 40% a Chimbinha. A assessoria do guitarrista contesta, afirmando que um documento posterior estabeleceu as frações em 50% para cada um.
Chimbinha era um produtor popular de sucesso em Belém quando conheceu Joelma, que queria alguém para comandar seu primeiro disco solo. Eles iniciaram um relacionamento amoroso e criaram a Calypso, que já no álbum de estreia, totalmente independente, chegou às 500 mil cópias. O crescimento exponencial da banda inverteu a lógica de estourar só depois de passar pela indústria ? quando foram anunciados como fenômeno e novidade no ?Domingão do Faustão?, em 2005, eles já tinham ultrapassado a marca dos milhões de vendas de seus CDs e DVDs. Revelaram assim um mercado gigante que se viabilizava ? via internet, redes de camelôs, barateamento do equipamento digital ? pelas franjas do mainstream. Mais tarde, conseguiram entrada no universo mais pop, tocando com artistas como Dado Villa-Lobos e Paralamas do Sucesso e ganhando prêmios como o Video Music Brasil (Chimbinha foi escolhido em 2008 o guitarrista da Banda dos Sonhos, com João Barone, Bi Ribeiro e Marcelo D2).
? A Calypso aproveitou bem mecanismos de mercado que já existiam no Pará, juntando a experiência do Ceará, que já exportava suas bandas de forró para outras regiões ? avalia Carlos Eduardo Miranda, produtor que dirigiu o encontro da banda com os Paralamas e que, há anos, tem acompanhado de perto a cena paraense. ? Esteticamente, a banda trouxe uma renovação para a música brasileira com as referências do Caribe e a influência de anos 1980 de Joelma, muito inspirada por artistas como Cindy Lauper.
MUDANÇAS NO MERCADO
Coautora de ?Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música?, Oona Castro destaca a importância da banda na criação de público e mercado para artistas que vieram depois, como Gaby Amarantos e Gang do Eletro. Mas não crê que a separação impacte no gênero.
? Esse mercado mudou desde a última década. Muitos foram para gravadoras mais tradicionais. O papel que a Calypso teve para botar esse gênero na cena nacional, isso ficou. Mas não creio que a separação cause impacto hoje. O tecnobrega já vem mudando seu modelo de negócios, é um processo que não é só da Banda Calypso, numa crescente profissionalização. A própria disputa deles é totalmente dentro dos padrões do mercado tradicional, sobre marca e direitos autorais.
OS NÚMEROS
R$ 150 milde Cachê ? Segundo produtores do Nordeste esse é o valor médio para se contratar um show da Calypso;
Mais de 15 milhões de discos vendidos ? Soma inclui 23 CDs e 8 DVDs lançados em 15 anos de carreira;
140 shows por ano ? Banda segue ativa sobretudo nas regiões Norte e Nordeste;
10 milhões de seguidores no Youtube ? São os números do canal oficial. Vídeos postados no site por fãs da banda chegam a 3 milhões de visualizações;
Fonte: Flip



