Apesar do medo de vazamentos, envio de fotos íntimas se populariza

O vazamento de fotos íntimas do ator Stênio Garcia, 83, e sua esposa, Marilene Saad, 47, na semana passada deu o que falar nas redes sociais. O comportamento não é restrito ao ator – aliás, tornou-se bem comum com o avanço dos smartphones e das redes sociais, tanto que a expressão “Manda Nudes” tornou-se comum para o ato de enviar fotos sensuais através de aplicativos de troca de mensagens, tais como o WhatsApp e o Snapchat, originalmente criado com esta finalidade.

Uma pesquisa online do instituto Qualibest, divulgada pela Folha de S. Paulo, entrevistou 579 pessoas, entre 16 e 30 anos, revela que 12% dos entrevistados já compartilharam fotos ou vídeos de “nudes” na web. Para 42% dos que mandam os nudes, o principal fator motivador é o pedido do parceiro. Já a mesma quantidade disse que envia as imagens em resposta ao recebimento de nudes. Dentre os aplicativos escolhidos para o envio, o WhatsApp aparece em primeiro lugar, com 87% da preferência, seguido pelo Snapchat, com 25%.

Para a psicanalista Marielle Kellermann, que pesquisa a relação entre psicanálise e tecnologia, existem dois motivos principais para o ato de compartilhar nudes pela internet: . o desejo biológico inato do exibicionismo e as facilidades que a tecnologia proporciona, como o envio instantâneo de fotos.

Mas as vítimas de vazamento ilegal são, geralmente, as mulheres. A ONG SaferNet atendeu a 224 casos de pessoas vítimas deste crime no ano passado, um crescimento de 120% com relação a 2013 (foram 101 ocorrências), sendo que 81% correspondiam a mulheres. No caso dos 19% dos homens, a maior parte enviou imagens para outros homens, que depois passaram a ameaça-los de revelar suas preferências sexuais. O porn revenge (pornô de vingança) tem se tornado uma prática comum, onde as pessoas usam as imagens íntimas para prejudicar outras. (Notícias ao Minuto)