Secretário da Agricultura da Bahia fala sobre ações de combate a seca no Estado

O Secretario Estadual de Agricultura Eduardo Salles  em entrevista  ao Coordenador de Jornalismo Dílson Barbosa, no programa Acorda Feira, abordou questões referentes à seca  em vários municípios  do estado da Bahia. Na opinião do secretario, a questão da seca, precisa ser dividida em três etapas, uma referente às questões emergenciais, ou seja, questões direcionadas ao endividamento dos agricultores,  que venceram o ano passado ou que vencem este ano. Estas dividas  estão sendo renegociados com até 85% de desconto, a quantia de  até R$15.000, dentre outras com até R$30.000, tendo 75$ de desconto. O secretario solicita que aqueles  que possuem a divida vencida, que compareçam junto ao banco para renegociá-la, pois não fazendo este procedimento, o agricultor poderá ficar com o crédito dificultado, e entrará numa lista  de pessoas inadimplentes no banco  e consequentemente um novo crédito ficará mais difícil no futuro.

 Outra questão apontada pelo secretario, é  sobre o crédito emergencial, ou seja, é necessário que os agricultores compareçam ao Banco do Nordeste  e adquiram a quantia de até R$100.000. No entanto, até R$12.000 tem o  abatimento  de 40%; no caso de inadimplência, com   3 anos de carência, 7 anos para pagar  e juros de 1% ao ano. Segundo o secretario que é Engenheiro Agrônomo, essa  é a melhor condição de pagamento, de juros que o mercado ofereceu.

 A outra questão emergencial apontada,  é referente o milho. ?Nós tínhamos cinco pólos, Entre Rios, Ribeira do pombal, Santa Maria da Vitória, Itaberaba, Irecê e ampliamos no final do ano, através do Governo do Estado. Eu  liguei pessoalmente para cada prefeitura  desses pólos para a venda desse milho balcão a R$ 18,12, limitados a seis mil quilos por mês por produtor. Ampliamos para  Conceição do Coité, Seabra, Guanambi, Vitória Da Conquista, Jequié, Feira de Santana, Paulo Afonso e Juazeiro. No inicio de maio, chegará a Remanso 500 toneladas, em Ponto novo 2.200 toneladas, em Chorrochó 3.000 toneladas,  Maracás 1.000 toneladas, Mucuri1.000 toneladas, Jacobina 4.000 toneladas, Baixa Grande 1.000 toneladas, Bom Jesus da Lapa 3.000 toneladas, Amargosa 500 toneladas e Feira de Santana 1.500 toneladas , realizado no último leilão (19/04)”, informou.

O secretario ressaltou ainda, que o garantia safra  teve o incentivo do governo do estado, pois o mesmo  resolveu pagar metade do que cabia a prefeitura, metade do que cabia ao produtor; fato esse que só acontece na Bahia. ?Saímos de 6.000  e fomos para 210.000 seguros safra para o pequeno produtor. O pequeno produtor já ganhou neste ano R$1.200, infelizmente  devido a sua  perda de safra?, pontuou.

A respeito de produtores que não tem acesso ao crédito emergencial, o secretario contou que  o único banco a realizar esse procedimento é o Banco do Nordeste, e  a velocidade que este dá  aos processos  de crédito infelizmente não é suficiente , pois a Bahia conta  com o maior número de agricultores familiares do país. O Banco do Nordeste possui 42 agências na Bahia, sendo que mais de 30 agências na região do semi ? árido, logo a velocidade nas negociações de crédito não é suficiente devido à demanda. ?Até agora na Bahia, 80.000 operações foram realizadas até R$100.00. Essas regras foram determinadas por leis  e os gerentes de banco  tem que seguir?, argumentou.

O Banco do Nordeste realizou um mutirão na última semana,   e final de semana também, com o intuito de  desobstruir o crédito de quem  possuía volumes grandes de propostas no banco,  que por sua vez,  não haviam sido operadas. Além disso, o mesmo contou, que a Secretaria de Agricultura em conversa com o Banco do Nordeste, conseguiu trazer funcionários das agências que não estão no  semi- árido, para acelerar os processos.

Segundo o secretario, a Bahia possui 11,5 milhões de animais, 72% do rebanho se encontra no extremo sul, sul e no oeste da Bahia, e 28%  estão no semi ? árido, que são dos pequenos produtores, como a região de Senhor do Bonfim.   Dessa forma, o mesmo  solicita que  os produtores  entrem em contato, através do site da Secretaria  da Agricultura, www.seagri.ba.gov.br/ e coloquem seus questionamentos, para que  estes possam ser  discutidos  juntamente com o Banco do Nordeste, para tentar minimizar os problemas.

?Nós estamos assinando um contrato  para inicio da construção de uma bio fábrica em Juazeiro, para produção de palma, isso vai produzir um milhão de mudas para doação dos pequenos produtores, uma ação estruturante, é um mini PAC do semi ? árido. Nós somos 27 secretários, eu fui eleito pelos meus colegas  Secretario  do Brasil como Presidente desse conselho, e nós temos batalhado muito por esse Pac semi ? árido,  que seriam verbas principalmente para os animais, com pequenos barramentos, barragens subterrâneas ou  poços artesianos mesmo com águas salobras   para consumo animal  e bio fábricas para produção de palmas?, contou

Segundo o secretario, o  Governador Wagner liberou  um milhão  trezentos e cinqüenta mil. ? Nós vamos fazer uma bio fábrica e  iniciar as construções em Juazeiro  com a produção de um milhão de mudas  de palmas, para doação de pequenos produtores. Também uma pequena bio fábrica na EBDA em Feira de Santana  e outra em Irecê. Nós através da EBDA, Secretaria de Agricultura,   compramos dez milhões de raquetes de palmas  e estamos fazendo unidades multiplicadoras em todos os municípios  do semi ? árido baiano,     alguns municípios com até cinco unidades dessas  e também nas cinco unidades experimentais da EBDA. Nós estamos plantando dez hectares irrigados de palma, para que dalí essa palma seja multiplicada  e a gente doe para os pequenos produtores, para que tenham uma ação  definitiva, e  no futuro não se sofra tanto com secas, como a gente tá sofrendo agora”, esclareceu.

Sydna Rodrigues