Você já ouviu falar em epifisiólise? Provavelmente não. A doença de nome estranho é facilmente confundida com dores musculares e ósseas: mas trata-se de uma enfermidade séria, que é o escorregamento da cabeça do fêmur para a bacia.
Pouco conhecida popularmente, acomete geralmente crianças e adolescentes, na fase dos 12 aos 16 anos, muito ativas fisicamente ou que sofreram traumas. No entanto, a obesidade e questões físicas naturais também são agravantes. Sem tratamento adequado, a epifisiólise pode causar fortes dores na cintura, dificuldade para andar e, na vida adulta, artrose no quadril e deformidades.
?Se não é identificado rapidamente, existe um problema no crescimento do osso: a cabeça do fêmur, que é esférica, vai crescer de forma oval, e na fase adulta vai gerar a artrose de quadril, e o desgaste de cartilagem pode tornar a pessoa manca?, afirma o pesquisador em Ortopedia André Wever, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Wever diz que a artrose e a dificuldade de andar são sequelas do sistema-músculo-esquelético, mas não há o perigo do paciente tornar-se paraplégico ou perder a mobilidade das pernas. ?Às vezes não tem nem trauma associado, é uma questão de escorregamento. Crianças com crescimento rápido, muito ativas e que correm muito desgastam uma cartilagem entre o fêmur e a bacia, por isso os sintomas surgem logo?, destaca.
Apesar dos agravantes, não é motivo para pânico ou impedir que as crianças se desenvolvam naturalmente, alerta o membro da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia da Bahia (Sbot-BA), Luis Wolfozich. Basta estar atento ao crescimento dos filhos e adolescentes, e sempre buscando saber deles o que sentem, acrescenta o médico.
Conforme o especialista baiano, não é possível medir uma incidência da doença na Bahia. No entanto, estudo da Unidade do Trauma Ortopédico do Hospital Universitário da Universidade do Rio Grande mostra que a incidência nacional é de três adolescentes por 100 mil indivíduos, sendo os meninos mais suscetíveis à doença. (Tribuna da Bahia)



