O papa Francisco fez nesta segunda-feira (22) discurso em português, no Palácio Guanabara, e se esforçou para passar uma mensagem que usasse referências culturais brasileiras. “O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no Seu abraço para, junto de Seu coração, ouvir de novo o Seu potente e claro chamado: 'Ide e fazei discípulos entre todas as nações'”, afirmou. Ele afirmou que Deus quis, “na sua amorosa providência”, que a primeira viagem internacional do pontificado fosse à América Latina, mais precisamente ao Brasil, “nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro”. “Dou graças a Deus pela sua benignidade”, disse, no primeiro discurso após a chegada ao Rio. Translado O papa Francisco chegou ao Palácio da Guanabara onde ocorreu uma recepção em sua homenagem. Ele saiu do Aeroporto Santos Dumont, onde fica a Base Aérea do III Comando Aéreo Regional (Comar) da Aeronáutica. Dois helicópteros esperavam a chegada da comitiva para levar Francisco ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, em Laranjeiras. Assim que o papa saiu da Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, para seguir no papamóvel pelas ruas do centro do Rio, milhares de fiéis se aglomeraram dentro e na porta da igreja e uma confusão se formou. Enquanto um grupo queria sair da igreja para seguir rumo ao Theatro Municipal, outros queriam entrar porque acreditavam que Francisco voltaria para lá. A aglomeração foi tanta que muitos reclamaram até de falta de ar. Ele não voltou à catedral. Francisco foi até o Theatro Municipal, de onde deixou o papamóvel e embarcou no mesmo Fiat Idea para seguir rumo à Base Aérea do Galeão e ir de helicóptero até o Palácio Guanabara. Nas imediações do Palácio Guanabara, em Laranjeiras (zona sul do Rio), cerca de mil manifestantes protestam pelo Estado laico e contra o governador Sérgio Cabral (PMDB). Os ativistas queriam seguir até a frente do imóvel, mas um cordão de isolamento feito por policiais militares obrigou o grupo a parar na esquina da rua Pinheiro Machado com a Travessa Pinto da Rocha, em frente à sede do Fluminense, onde um boneco do governador Sérgio Cabral foi queimado. No Largo do Machado, no centro da cidade, um grupo de atores independentes mais representantes de grupos LGBTs, alguns com os seios à mostra, protestaram contra a visita do papa, promovendo um beijaço gay. Cerca de 1.500 policiais atuam na segurança do ato. Um caveirão e um caminhão de água estão posicionados atrás da fila de PMs. Desfile O carro que transportou o papa Francisco tem dificuldade para avançar pela avenida Presidente Vargas, perto do sambódromo, no centro do Rio, por conta da multidão de fiéis que tentou se aproximar do veículo. O carro estáva com a janela aberta e o público queria tocar o papa. Sete seguranças acompanharam o papa fora do carro, e outro dentro do veículo. O carro seguiu para a Catedral Metropolitana. Os fiéis e peregrinos que aguardavam a chegada do papa Francisco já estavam posicionados para abrir passagem ao pontífice para a entrada dele à Catedral. A PM abriu um corredor para a passagem do papa e contou com a ajuda de voluntários. As primeiras pessoas formavam uma espécie de “cerca humana”, lado a lado e de braços dados. Animadas, as amigas Ana Maria Carvalho e Renilma Albino, ambas de 62 anos, aguardavam a chegada do papa Francisco à Catedral Metropolitana do Rio. Ao som de um rock gospel, tocado no altar, cantado em espanhol e reproduzido para quem estava fora da igreja pelas caixas de som, as duas acompanhavam o ritmo batendo os pés no chão e sorrindo. (Aratu)



