Em tom rígido, Dilma Rousseff levou nesta terça-feira (24) à 68ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, as críticas do país ao governo americano, acusado de espionar inclusive as comunicações pessoais da presidente brasileira. Na plenária, Dilma qualificou o programa de inteligência dos EUA de ?uma grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis; da invasão e captura de informações sigilosas relativas a atividades empresariais e, sobretudo, de desrespeito à soberania nacional?. Dilma afirmou que as denúncias causaram ?indignação e repúdio? e que foram ?ainda mais graves? no Brasil, ?pois aparecemos como alvo dessa intrusão?. Disse ainda que ?governos e sociedades amigos, que buscam consolidar uma parceria efetivamente estratégica, como é o nosso caso, não podem permitir que ações ilegais, recorrentes, tenham curso como se fossem normais?. ?Elas são inadmissíveis?, completou.
Conforme a brasileira, o Brasil ?fez saber ao governo norte-americano nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão?. Há uma semana, a presidente cancelou a visita de Estado que faria ao colega Barack Obama em outubro que vem, em Washington, por ?falta de apuração? sobre as denúncias de que a inteligência americana espionou as comunicações pessoais da brasileira, além da Petrobras. Para ela, ?imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre elas, sobretudo, entre nações amigas?. Dilma também foi extraordinariamente dura ao rebater frontalmente o argumento americano de que a espionagem visa combater o terrorismo e, portanto, proteger cidadãos não só dos EUA como de todo o mundo. Para Dilma, o argumento ?não se sustenta?. ?Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violência de direitos humanos fundamentais dos cidadãos de outro país.??O Brasil, senhor presidente [da Assembleia Geral], sabe proteger-se. Repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas?, disse. O Brasil faz o discurso de abertura da reunião anual desde que o embaixador Oswaldo Aranha iniciou a tradição, em 1947. (Correio)


