A partir desta quinta-feira (5) e quinzenalmente o Blog do Valente reserva um espaço para esclarecer as dúvidas dos internautas em diversas áreas. Nesta quinta (5), no programa de estreia, o professor Henrique Tito, mestre em economia e professor há 30 anos, com passagens em diversas universidades, e diretor acadêmico da Faculdade de Ciências Empresariais (Facemp), tira dúvidas, dá dicas e orientações, sobre o sonho da maioria dos brasileiros, que é ter a casa própria e sair do aluguel.
Segundo o economista, o primeiro ponto a considerar é a disponibilidade de recursos. ?Poupança, saldo do FGTS que posso utilizar, bens que eu possa converter em dinheiro, disponibilidade de recursos. Se tiver, é importante que se use uma parte considerável desse recurso para adquirir a casa própria?, orientou.
Henrique Tito orienta o cidadão, caso não tenha esses recursos, a adquirir um empréstimo. ?É importante que as prestações desse empréstimo não ultrapasse os 30% da renda líquida familiar, porque pode comprometer o orçamento futuro. Quem compra um imóvel novo, por exemplo, coloca um armário, pois ninguém mora em casa vazia. Quem compra um usado, geralmente precisa de uma reforma. Não se comprometa além dos 30% da renda?, salientou.
Consórcio ou popança? Qual a melhor opção
Sobre a melhor opção de empréstimo, consórcio ou poupar? Sobre isto, a dica do economista é não esquecer que consórcio não é investimento. ?Entra aí a educação financeira, ou seja, a disciplina que cada pessoa tem de como vai utilizar seu dinheiro. No consórcio se paga a uma administradora gerenciar seus recursos. Em um ano se paga em torno de 2% a 3% só de taxa de administração, isto é, para você adquirir uma carta de crédito você pagou para alguém administrar seus recursos?, explicou.
O problema do consórcio também envolve outra questão, que o economista Henrique Tito explica. ?Se tenho pressa ou necessidade de adquirir o imóvel, o melhor é o financiamento, a diferença é que no financiamento eu tenho o bem a minha disposição assim que o agente financeiro tiver disposição para eu apresentar minha documentação e adquirir o crédito. Eu pago os juros, que varia, dependendo da faixa de renda e do valor do imóvel adquirido. Abaixo de R$ 500 mil a taxa de juros pode chegar a 11% ou 12%. Tem faixa de renda menor, onde posso financiar na Caixa valores acima de 5% a 6%, mas eu pago juros por algo que já está em minhas mãos?, disse.
De acordo com o economista Henrique Tito, a vantagem do financiamento é que se a pessoa não quiser ficar com o imóvel pode alugar ou deixar com alguém que reembolse. ?No consórcio eu pago por algo que não tenho a posse imediata a menos que eu dê um lance, que geralmente é a metade ou 40% do valor. Para ter a garantia que você vai ter o bem ou a carta de crédito antes de um ano, os lances são acima de 40%?, alertou.
Muita gente calcula que pagará o triplo ou mais de juros na compra da casa própria. ?Tem que comparar com outras modalidades de financiamentos. O financiamento imobiliário ainda tem as taxas mais baixas do mercado em comparação com o de carro, que perde valor com o tempo. A casa tende a valorizar. As taxas de juros variam de 8 a 13%. Se o valor for abaixo de R$ 500 mil, ou de R$ 150, R$ 170 mil, tenho taxas menores que podem chegar a 5% ao ano. É um financiamento imobiliário é a melhor opção?, afirmou o economista.
Saque ou Prime
Sobre as prestações, o mais aconselhável é o saque, diz o economista Henrique Tito. Segundo ele, o saque é aquele na qual as prestações iniciais são mais altas e tendem a cair. ?Porque o pagamento das primeiras parcelas pode comprometer o orçamento, mas no futuro o orçamento tende a ficar mais folgado com o tempo. Vai pagar menos no futuro e isso traz certa tranqüilidade, não só financeira, mas também psicológica. Tem a dívida, as ela vai diminuir com o tempo. Os valores que vou desembolsar mensalmente são cada vez menores e comprometem menos a minha renda futura?, garantiu.
De acordo com o professor Tito, é mais vantagem o financiamento da casa própria do que o aluguel. ?O aluguel se paga por algo que não é seu, mas para adquirir minha casa eu, tomando financiamento, estou pagando por algo que já está em minhas mãos e no futuro ninguém poderá mexer com minha propriedade porque está sob minha posse. O aluguel eu pago por algo de alguém que no futuro posso sair e ter que procurar outro espaço?, afirmou.
Há 12 anos, uma pessoa comprou uma casa e nove anos depois vendeu cinco vezes mais o valor que comprou. Em Santo Antônio de Jesus o terreno vale ouro e os alugueis estão caríssimos. É possível prever em quanto ficará o valor do imóvel? Para o economista, envolve riscos. Será que haverá espaço para continuar a valorização dos imóveis em Santo Antônio de Jesus? ?Com base na experiência dos últimos três anos, já que todo ano pago 12% de juros e aquele financiamento vai continuar naquele valor, vale à pena pegar o financiamento porque sei que meu imóvel vai valorizar, caso eu precise antecipar o financiamento e liquidá-lo, eu vou ganhar dinheiro. Nada pode ser garantido a esse futuro, temos um cenário de incertezas. Nada pode ser garantido?, ressaltou
O economista lembrou que nos Estados Unidos em 2008, o mercado superaquecido, a valorização dos imóveis estava em alta e chegou ao ponto da crise que se desencadeou e os imóveis que valiam 1 milhão de dólares passaram a valer 60 mil dólares. ?Um quadro de crise, mas muito distante do cenário atual de Santo Antônio de Jesus. Mas é um alerta para o nível de incerteza, uma resposta que não se tem parâmetros?, salientou o economista Henrique Tito.
Cristina Pita


