Ausência de laboratório para exames com drogas em Santo Antônio de Jesus desfalca trabalho da polícia

Santo Antônio de Jesus perdeu para o município de Valença a instalação de um laboratório de exame de drogas. Conforme informações, o setor de análise não recebeu um centro na cidade por conta de problemas com a documentação do terreno onde seria feito o investimento.

Em entrevista concedida à Rádio Andaiá FM, o coordenador de Polícia Técnica em Santo Antônio de Jesus, Ricardo Nery, declara que a ausência do setor de exame de drogas na cidade prejudica bastante a polícia e a justiça. ?A partir do momento que uma pessoa é presa, ela tem um prazo para permanecer presa. O que diferencia um pó branco de bicarbonato de sódio para um pó branco de cocaína são os testes químicos. Nós fazemos testes preliminares, mas existem casos que são falsos positivos. Essa confirmação tem que ser feita mediante um laboratório?, disse o coordenador.

Atualmente os exames são feitos no laboratório de Salvador, sendo que o material é enviado apenas uma vez por mês. Segundo Nery, os resultados podem demorar até 5 meses para chegar. Caso o setor fosse instalado em Santo Antônio, os resultados poderiam sair em 2 dias. O coordenador diz que continuará pleiteando pelo laboratório. ?Não fomos agraciados em 2013, mas vou brigar com unhas e dentes para que em 2014 nós consigamos implantar um aqui?, declarou.

Recentemente surgiu a informação de um suposto caso de suspeitos que foram liberados pela justiça porque um dos peritos da Polícia Técnica de Santo Antônio de Jesus, alegando sobrecarga de trabalho, se recusou a fazer os exames preliminares, fazendo com que o advogado dos acusados pedisse suspensão da prisão por falta da materialidade da prova.

O coordenador da 4ª Coordenadoria Regional de Polícia Civil (4ª Coorpin), Paulo Guimarães, explicou que quando se apreende alguém por tráfico de drogas é obrigação da polícia, como prova material, solicitar uma guia para se fazer o exame de constatação. O resultado desse exame de constatação resulta em um laudo preliminar que é anexado ao procedimento e enviado à justiça. Caso esse laudo não conste no auto de prisão, o flagrante ?cai? por falta de prova material.

Guimarães diz que o caso da liberação dos dois acusados não chegou ao seu conhecimento. ?É função do perito fazer o laudo, desde que a guia chegue devidamente preenchida na mão dele. Como não tenho conhecimento se esse fato ocorreu, nem com quem ocorreu, eu prefiro me reservar ao direito de primeiro saber o desenrolar dos fatos com o delegado. Além da situação crime, ele pode responder administrativamente pela falta cometida, caso isso tenha ocorrido?, esclareceu o coordenador da polícia civil.

 Blog do Valente / Uilson Campos, com informações da Andaiá FM