Opinião: Os &#39rolezinhos&#39 e a justiça que legitima a exclusão

Nesta semana discutimos no programa Estúdio Livre a situação dos rolezinhos, essa nova forma de manifestação que surpreendeu algumas autoridades do país. Se o rolezinho já é um fato inusitado por si só, muito mais inusitada foi a decisão da justiça de punir com multa de 10 mil reais os jovens que participaram do movimento. Ora, esse pessoal vai pagar como? São pessoas simples, humildes oriundas de classes populares.

O que esses jovens estão querendo dizer? Exceto em algumas situações de vandalismo e roubo, esses participantes do movimento não agiram com agressividade. E aí nós começamos a analisar a ?filosofia dos shopping centers?. Será que o movimento não teria surgido como resposta destes jovens, sempre barrados por seguranças que os julgam pela forma como se vestem, sempre impedidos de participar daquele mundo de Mc?Donalds, Subway, grifes, pistas de gelo, cinema 3D? Esse mundo em que eles não têm acesso porque os preços estão muito longe da sua realidade, nessa sociedade excludente que estamos criando, com uma mídia que força cada vez mais o consumir pelo consumir, não pela necessidade.

Essa sociedade em que um jovem gasta 3 mil reais com um celular da Apple, o outro gasta mil com um tênis da Nike, enquanto exclui outros que veem tudo isso na frente deles e não podem fazer nada. Esses rolezinhos são uma espécie de resposta a isso, uma forma de chamar a atenção para a desigualdade de nosso país.

A decisão tomada pelos juizes paulistas revelam uma justiça feita para proteger os ricos de quem é pobre, como disse um convidado em nosso programa. Por que não chamar os jovens para tentar entender seus anseios?

Ainda que inconscientemente, os participantes dos rolezinhos respondem a essa pressão da sociedade. E se for em forma de protesto, sem quebra-quebra, que continuem sendo feitos. Distinguir quem pode entrar, quem não pode, quem está ?bem vestido? ou quem não está, quem está sozinho ou em grupo, quem está com dinheiro ou sem dinheiro, é uma forma de discriminação, e isso sim que não pode ser permitido.

A reflexão que fica é que nosso país deve ser repensado, para não reforçarmos uma sociedade de castas, ou legitimar um regime de apartheid.

 Léo Valente