O blog do jornalista Paulo Moreira Leite, declaradamente ligado ao PT, chama Marina de furacão e defende que partido para pra cima. Leiam:
Pesquisa Datafolha mostra que tese da “desidratação” natural de candidata Marina Silva é furada; cravada num empate de 34% com a presidente Dilma Rousseff, depois de ascender 13 pontos percentuais em apenas 11 dias, candidata do PSB já está mais para furacão em plena passagem do que para fenômeno eleitoral furtivo; ou Dilma, o ex-presidente Lula e o marqueteiro João Santana posicionam o PT para apontar todas as suas baterias sobre as fragilidades e contradições da ex-ministra, ou o que está sendo escrito pelo partido é uma história de alternância, e não de manutenção do poder; essa é a ideia?
DE FENÕMENO A FURACÃO – Com o botão do ataque desligado, o que a campanha do PT vai conseguindo até aqui é transformar Marina de fenômeno a verdadeiro furacão que ganha mais força à medida em que avança para o dia do voto, em 5 de outubro. O presidenciável Aécio Neves, do PSDB, nesse contexto, vai sendo, literalmente, dizimado pelo furacão Marina.
Ao mesmo tempo em que precisou de apenas onze dias para tornar pó o favoritismo que, a duras penas, Dilma exibia antes da morte de Campos, Marina está reduzindo Aécio à condição de náufrago da eleição. Com queda livre do patamar de 21 pontos na metade do mês para a faixa de 15% das intenções de voto agora, o senador mineiro já vê os principais nomes do partido que preside guardarem distância respeitável de qualquer crítica à Marina.
Toda a ala paulista tucana está marinando, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique, o candidato a senador José Serra e o governador Geraldo Alckmin, que tem no parceiro de chapa Marcio França um legítimo representante do PSB.
Não será de um PSDB outra vez dividido que sairá alguma ordem unida para combater o crescimento de Marina. Se essa ordem não vier a ser dada pelo triunvirato que dá o rumo à campanha do PT, a mensagem será a de que a ex-ministra do Meio Ambiente já pode, como se diz, encomendar o vestido da posse. Não há sinal tanto no Datafolha desta sexta 29, assim como nas pesquisas anteriores e em todos os radares voltados para a cena, que Marina venha a perder seu favoritismo no caso de não ser incomodada. Relatórios de bancos internacionais já estabelecem em mais de 60% as chances de ela vencer a disputa.
IMBRÓGLIO DE JATO NEM ARRANHOU – Sobre ela, protegida pela áurea de viúva política de Campos, a crítica ética ou moral não parece colar. Mesmo com a discussão sobre o imbróglio do jato do PSB ter se alongado desde a data da queda, no dia 13 deste mês, Marina não sofreu um arranhão sequer nas aferições de preferências. Ao contrário, decolou para novos céus, onde reluzem estrelas como os seus atuais 34% em primeiro turno e os 50% que pode chamar de seus para a segunda volta.
No PT, até que o Datafolha demarcasse o que já se esperava, vigorou uma tese, com ares de fantasia, de que Marina iria se “desitratar” sozinha. Na prática, o que está ocorrendo é o contrário, com uma hidratação de votos se mostrando cada vez maior e mais eficaz. Registre-se: em 11 dias entre a divulgação de duas rodadas de pesquisas Datafolha, a candidata do PSB subiu 13 pontos.
Com um quadro que já não admite análises condescendentes, às portas da entrada do mês final de campanha eleitoral, o certo é que a estratégia política adotada pelo PT está errada. Do contrário, Dilma não estaria em apuros. Com a economia entrando em “recessão técnica”, discutir questões ligadas ao desenvolvimento será cada vez menos confortável para a presidente. Isso não impede, porém, que a mesma Dilma chacoalhe a sua campanha, de preferência com a força de Lula ao seu lado, para indicar ao marqueteiro Santana um novo caminho de abordagem no mais poderoso instrumento eleitoral: o programa de tevê no horário político.
Enquanto Marina não for combatida de frente em suas fragilidades e contradições, o que está sendo escrito pelo PT até agora é uma história de alternância, e não de preservação de poder. Essa é a ideia?


