Hoje faz um ano que o tempo parou para a enfermeira Marinúbia Gomes Barbosa, 46 anos. No dia 11 de outubro do ano passado ela perdia os filhos Emanuel, 22, e Emanuelle Gomes, 23, em uma tragédia. ?Um ano para mim significa o mesmo que um dia para a noite: a dor é a mesma. Se passou um ano e em nenhum dia minha dor foi amenizada. A ferida ainda está aberta?, diz.
Os irmãos estavam passando pelo bairro de Ondina em uma moto quando, segundo testemunhas, teriam discutido com a médica Kátia Vargas Leal Pereira. Dirigindo um Kia Sorento, ela foi acusada de ter perseguido os irmãos, que foram projetados contra um poste e morreram no local. Para a mãe, bem mais magra que há um ano, o que mudou nestes 12 meses foram a dimensão e a forma como encara a situação. ?Agora que eu percebo o tamanho da crueldade, antes eu ficava atordoada. Meus filhos, dois jovens, estudiosos, corretos, foram partidos em vários pedaços em um poste por causa de alguém que resolveu dar um piti?, afirma.
Marinúbia chora, mas conta com o apoio da família que evita deixá-la sozinha e busca formas de afastá-la das lembranças. Ontem, a mãe dela veio de Petrolina (PE) para dar apoio e aproveitar para comemorar o aniversário de 71 anos. Dona Marinalva Gomes de Alcântara declara sofrer duplamente por ver a tristeza da filha. ?Eu não posso chorar, preciso ser forte para ficar com ela?, conta.
Elas ressaltam que toda essa dor que sentem é do tipo que só as mulheres que já perderam um filho conseguem entender. ?Qual é a utilidade de uma mãe que não tem filho? Uma mãe que não tem um filho não serve para nada. Minha vida era meus filhos e hoje se resume em trabalhar, para me manter, e lutar pela justiça?, lamenta Marinúbia.
Apesar do apoio que tem nas ruas, a enfermeira relata que também sofre ataques anônimos. Ela conta que recebe mensagens de texto no celular que a insultam, acusando-a de se aproveitar da exposição. Também recebe mensagens que pedem perdão, mas isso é algo que ela diz que ?compete a Deus?.
?Ela destruiu a família dela, eu lamento pela família e pelos filhos dela, mas não tenho condições emocionais de lamentar por ela. Que ela seja forte para enfrentar a Justiça. Eu só perdoo Kátia Vargas no dia que o júri popular disser que ela é inocente ?, adianta. (Correio)


