O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares ? situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. Um dia para reflexão e debate, um dos temas mais debatidos é a das cotas para negros em universidades e em algumas cidades o sistema também foi adotado em concursos públicos, defensor da ideia, o professor da UNEB Wilson Mattos externou sua percepção sobre esta discussão. ?Eu penso que existem muitas pessoas que são contra o regime de cotas, mas eu recomendo a essas pessoas aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre a história do Brasil, se nós consideramos a história do Brasil desde 1500, desde a chegada dos portugueses aqui, nós vamos perceber que ao longo de 500 que a população negra foi escravizada, e a escravidão durante 300 anos é ausência absoluta de qualquer direito, então a população negra já ingressa na história do Brasil com um déficit muito grande?, pontuou.
O professor falou também sobre as ações das ?Políticas afirmativas?, que ampliaram acesso ao trabalho, mas o racismo permaneceu, segundo pesquisas. ?A herança dessa escravidão evidentemente é descriminação racial, então essas desigualdades se reproduzem na história do Brasil até hoje, o sistema de cotas é apenas uma modalidade de uma política pública maior que são chamadas ?Políticas de ações afirmativas?, elas compõem no campo do direito e da justiça à ideia de justiça restaurativa, que é uma ideia muito recente. O sistema de cota só tem por objetivo corrigir essas desigualdades, ele não tem nenhuma intenção de fornecer privilégios para determinado segmento populacional?, acrescentou.
E para aqueles que ainda possuem uma visão distorcida sobre as cotas, Wilson deixou uma recomendação. ?Tem que analisar a história do Brasil e perceber que vários grupos populacionais, dentre eles e principalmente as populações negras, sofreram desvantagens no processo de construção da dignidade social?, concluiu.


