Janot oficializa tentativa de continuar na PGR

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, oficializou hoje (15) a sua candidatura à disputa para ser reconduzido ao cargo maior do Ministério Público Federal. Na mira de retaliação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, por ser alvo de inquérito da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Janot terá uma turbulenta disputa e posterior atuação no Ministério, se permanecer no cargo.

O adversário de Janot é o subprocurador-geral da República, Carlos Frederico Santos, que já garantiu a candidatura na primeira semana do mês, e se apresenta explicitadamente como oposição ao atual procurador. Além dele, se inscreveram os subprocuradores Mario Bonsagia, de São Paulo, e Raquel Dodge.

Assumindo recentemente cadeira no Colégio de Procuradores do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), em um episódio de derrota política de Janot frente ao órgão administrativo máximo do MPF, Carlos Frederico declarou-se “independente da administração atual da PGR” e, assim, angariou 41% dos votos, em maio, na eleição para o Conselho.

A indicação de Janot era para o subprocurador Nicolao Dino, que conquistou o terceiro lugar nas votações. O CSMP define todas as questões administrativas da carreira de procuradores, desde ofícios, resoluções e questões disciplinares. Integram o órgão o procurador-geral, o vice-procurador-geral e oito subprocuradores, além do corregedor-geral do MPF, que participa do Conselho, mas não tem direito a voto.

Em agosto, termina o primeiro mandato de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República, e uma nova lista tríplice será encaminhada para a Presidência da República. Antes visto com garantia de folgada vitória, Janot está cada vez mais pressionado pelo Congresso, sobretudo pela cúpula do PMDB, sob forte investigações do MPF na Operação Lava Jato,

Ainda que com o provável apoio do PMDB e da oposição ao adversário de Janot, o subprocurador Carlos Frederico Santos pode abraçar aliados dentro do CSMP e de procuradores, mas não tem garantias de indicação, uma vez que a escolha, que costuma partir da lista tríplice enviada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), é de Dilma Rousseff. O sistema é similar ao cargo de ministro do STF, sendo que o escolhido pela presidente deve passar por sabatina no Senado.

Do lado do Congresso, o discurso para desqualificar a atuação de Janot frente à PGR é que a lista de investigados, com os nomes dos políticos, enviada ao Supremo Tribunal Federal teria sido pautada por escolhas políticas para agradar o Planalto. Além de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também está na mira da Lava Jato.

Fonte: GGN