A lambança registrada na última Veja foi reparada por reportagem do jornal O Tempo nesta quinta-feira (11), que revelou que a revista tentou criar uma “laranja do PT” em Minas Gerais com base em um erro grosseiro na prestação de contas de uma das candidatas do partido.
Na edição passada, a publicação da Abril falou sobre o “caixa paralelo do PT de Minas”, tentando ligar os pontos entre o empresário Benedito de Oliveira, mais conhecido como Bené – preso pela Polícia Federal na Operação Acrônimo -, a mulher do governador Fernando Pimentel e a candidata do PT a deputada estadual Helena Ventura.
Segundo Veja, o destaque era Helena, uma enfermeira que em três tentativas de conseguir um mandato não chegou a acumular 3 dezenas de votos. Apesar disso, ela teria registrado no Tribunal Superior Eleitoral, só em 2014, a despesa de mais de 36 milhões de reais na campanha. A revista logo concluiu que o valor teria sido repassado para a empresa de Bené como pagamento de algum esquema ilícito.
“Sindicalista e filiada ao PT, a enfermeira [Helena] disputou três eleições. Foi candidata a deputada federal em 2010, a vereadora em 2012 e, no ano passado, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas. Somando o resultado das três eleições, ela teve incríveis 29 votos. Mas o que chamou atenção foi o custo de sua última campanha. Dona de um salário de 2.000 reais, Helena declarou ter gasto 36.280.000 reais com a candidatura. E o mais interessante é que praticamente todo o dinheiro, 36.250.000? reais, foi pago a um único fornecedor – a Gráfica Brasil, cujo proprietário é Benedito de Oliveira. É evidente que existe algo muito estranho nessa história.”
O que existe de muito estranho nessa história, segundo O Tempo (http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/contadora-filiada-ao-dem-errou-presta%C3%A7%C3%A3o-de-enfermeira-1.1053189), que nesta quinta-feira (11), foi um erro na prestação de contas de Helena. A contadora Rosilene Alves, filiada ao DEM, simplesmente transformou R$ 725,00, pagos por Helena à gráfica de Bené, em R$ 36,2 milhões. “Helena passou a ser abordada por equipes de reportagens de todo o país, e as matérias, segundo ela, aprisionaram-na em sua própria casa”, escreveu o jornal.
Em entrevista a O Tempo, Rosilene, da Contabilidade Shalon, reconheceu a gafe. “Por meio de uma declaração escrita de próprio punho e registrada em cartório ontem, ela retificou a informação. 'Foi um erro de digitação. Eu disse para ela: Nem você, nem eu vimos. Ela veio faltando uma hora (para acabar o prazo), querendo que eu fizesse a prestação de contas dela, que tinha que ser feita naquele dia', justificou, minimizando o problema. 'É a coisa mais simples de resolver. É só entrar e fazer a retificação'”.
Por causa da confusão, o TRE abriu investigação, solicitou esclarecimentos e, consequentemente, colocou a campanha do PT mineiro sob suspeita.
“Quando a prestação de contas foi entregue, em novembro do ano passado, Bené já tinha ganhado as manchetes, após o episódio em que um avião de sua propriedade foi apreendido com R$ 113 mil em dinheiro no aeroporto de Brasília. A ação deu origem à investigação da Acrônimo, que apura suposta lavagem de dinheiro”, lembrou o periódico mineiro.
Fonte: GGN



