Adolescentes são baleados por PMs no Dique do Tororó

Dois adolescentes foram baleados no final da tarde do sábado (15)no Dique do Tororó por policiais militares do 18º Batalhão da Polícia Militar (Centro). Segundo os PMs, os dois eram suspeitos de um assalto na região e reagiram à abordagem. As famílias dos dois, no entanto, nega a versão e diz que os dois foram alvos de uma ação “desastrada”. 

Segundo a ocorrência registrada pelo 18º BPM, a viatura foi alertada de que dois homens tinham acabado de assaltar uma mulher no Dique. Logo mais à frente, os policiais viram P. L.S.C. e M.S.S., ambos de 16 anos. Eles então pediram que os dois jovens parassem, mas um deles levou a mão à cintura, sacando uma arma, e os policiais atiraram para se defender. Uma arma de calibre 32 foi apreendida com os dois e o caso foi registrado como auto de resistência.

A versão dada pelas vítimas e pela família é diferente. Os adolescentes, que moram no Engenho Velho de Brotas, voltavam a pé do Center Lapa, onde tinham ido comprar uma bermuda e uma sandália. Eles já estavam a cerca de 100 metros de casa quando a viatura chegou por trás e pouco depois começaram os tiros. “Eles (os PMS) disseram que os meninos batiam com a descrição de uma senhora que foi roubada. Característica para eles é ser preto, no mínimo”, diz o parente de um dos adolescentes. “Eles só ouviram os tiros”.

Arma apreendida

Os familiares dos adolescentes saíram de casa e foram até o local. Segundo o parente ouvido pelo CORREIO, os PMs ainda se negaram a prestar socorro para os dois. “O soldado não quis dar socorro, falou que não sabia dirigir, ficou nervoso e começou a falar que quem atirou foi o sub (subtenente). A população parou um táxi, que aceitou e levou (os baleados) para o HGE”. O familiar diz que nenhum policial ou viatura acompanhou o carro. “Aí de 30 a 40 minutos depois chega a guarnição lá (no HGE) com uma arma de calibre 32. Se eles apreenderam essa arma, porque não levaram logo?”, questiona.

A mãe de M. contou que o garoto tem problemas mentais e toma remédios controlados. “Ele fica meio lerdo, surta às vezes, toma medicamentos”, relata. Ela entregou um relatório médico do filho, que já aposentado por invalidez, na Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI).  Os dois adolescentes são estudantes – M. faz a 6ª série e P. é estudante do 1º ano na rede estadual.

P. foi baleado no peito e no ombro direito. Ele passou por quatro horas de cirurgia, mas está estável e já foi desentubado. A família desejava transferir o garoto, mas segundo a família não pode porque ele está sendo “monitorado” por ter sido detido como ladrão. M., baleado no dedo esquerdo, já teve alta.

“Isso não vai ficar assim. Eles querem colocar nosso sobrinho como bandido, meu sobrinho não é bandido. Ou eles vão assumir o erro deles, o desastre que eles fizeram… Meu sobrinho não ficar manchado pro resto da vida como bandido, como eles quiseram botar no jornal, que foi troca de tiros”, desabafa o familiar. (Correio).