Congo, Nigéria, Senegal, Palmares, Costa do Marfim, Guiné Equatorial, Mali, Zimbábue, Jamaica, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul são alguns dos lugares que inspiraram desfiles do bloco afro Ilê Aiyê no Carnaval de Salvador. Mas, em 2016, é para o Recôncavo baiano que o bloco afro mais antigo do Brasil decidiu lançar o olhar.
Rica em manifestações culturais, berço de importantes personalidades negras e com grande participação nas lutas pela Independência da Bahia, a região é o tema do Carnaval 2016 do “mais belo dos belos”.
“É até tardia a escolha do Recôncavo como nosso tema”, comentou Arany Santana, membro da diretoria do Ilê. “Já chegamos a mostrar estados brasileiros considerados brancos, onde descobrimos manifestações culturais, terreiros de candomblé, tudo para mostrar a presença negra forte, contribuindo para a construção da civilização brasileira. Agora, chegou a hora de reconhecer esse legado africano, que é o Recôncavo, que significa, na verdade, olhar para nós mesmos”, disse Arany.
A região do Recôncavo, que sustentou a capital baiana na época do Brasil Colônia, será representada pelos municípios de Cabeceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragojipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Félix, São Felipe, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Sapeaçu, Saubara e Varzedo.
O Recôncavo passa a ser alvo de pesquisa para a produção de apostilas de estudo, que vão inspirar, por exemplo, a criação de canções, pois o Festival de Música Negra do Ilê Aiyê, realizado em dezembro, escolherá três composições, na categoria Tema, para entrar no repertório do bloco. O assunto também vai fazer parte de atividades educativas na Escola Mãe Hilda, além de ser estampado na fantasia do bloco e estar entre as homenagens da Noite da Beleza Negra, que escolherá a nova musa do Ilê.
História
Um dos primeiros locais pisados pelos portugueses, o Recôncavo teve um papel relevante na produção agrícola do país até o início do século XX.
Com a pujança econômica e a presença de negros escravizados, que travaram intensa luta por liberdade, a cultura da região tornou-se uma das mais ricas do planeta. (ATarde)


