Nazaré: Roceirinho trabalhava e era um ‘rapaz do bem’, diz ex-vizinha

 

Entre os moradores entrevistados pelo CORREIO, em Nazaré, uma chamou mais atenção. Uma comerciante que disse que foi vizinha de Roceirinho. Indo de encontro com os relatos da polícia e de outros moradores, a mulher tentou desfazer a imagem do traficante. ?Quando jovem, sempre foi um rapaz do bem, educado, prestativo à família e aos vizinhos?, disse ela, que não vê o antigo vizinho há muitos anos. ?Se eu vê-lo, não o reconheço?, admitiu. Porém, as lembranças de Adílson Souza Lima, na adolescência, não vão embora. Segundo ela, o rapaz cuidava de cavalos e gado nas fazendas da região. ?Daí o apelido de Roceirinho. Ele vivia na roça?, contou. 

Adulto, ele ganhava a vida vendendo carne numa feira da cidade. Segundo relatos de outros moradores, ele trabalhava todos os dias, acordava quando o sol nascia e só voltava para casa quando a noite chegava. A casa dele, onde morava com os pais e irmãos, ficava próxima a uma boca de fumo, controlada por dois rapazes. À época, o tráfico não era nada grandioso como hoje. ?Foi então que um cara grande (traficante) de Salvador o convenceu a ser o gerente dele aqui, pois queria se expandir no Recôncavo por Nazaré?, disse um morador.

Roceirinho não pensou duas vezes antes de mudar de ocupação ao comparar as vantagens: dinheiro, carro e mulheres ? tudo bancado pelo tráfico da capital. Perspicaz, já aos 40 anos, percebeu que poderia andar com as próprias pernas, rompeu a ligação com Salvador, e recrutou um exército, formado majoritariamente por meninos, e tomou as duas bocas, eliminando os concorrentes. Rapidamente, aumentou seu faturamento e investiu na ampliação do seu bando.(Correio)