O cantor e compositor Lobão defende o fim do governo petista hoje encabeçado pela presidente Dilma Roussef, mas considera que o cenário atual não traz quadros de oposição que possam ser vistos como solução para a crise brasileira. “Defendo eleições gerais, mas não temos quadro político em partido nenhum. Quem vou colocar (no lugar de Dilma Roussef)? Não sei”, diz o compositor, uma das principais vozes de oposição ao atual governo no meio artístico nacional.
O cantor participou nesta sexta-feira, 11, de “talk show” durante a Jornada Bahia Sergipe de Psiquiatria, realizado no Hotel Fiesta. Ele classifica o governo do PT com um período de “13 anos de desastre em cima de desastre”. O que piora o quadro, considera o compositor, é que os petistas não aceitam críticas, nem fazem autocrítica.
Lobão disse que por onze anos apoiou o Partido dos Trabalhadores, “porque eles tinham um plano de fazer um governo honesto. Mas qualquer pessoa intelectualmente honesta não consegue sustentar um governo que rouba como está roubando”. O compositor, apesar de não ver nenhum partido de ideologia liberal hoje no cenário brasileiro, aponta nomes que poderiam representar este ideal: o senador Ronaldo Caiado ou os deputados federais Onix Lorenzoni ou Mendonça Filho, todos do Democratas. “Mas são quadros isolados que não fazem o perfil de um partido”.
Erro
“Querem dizer que o erro do PT foi não ser de esquerda no governo. Mas isso é a esquerda: a ausência da criação de riqueza. Ela se apropria da riqueza”, considera o cantor, para quem o modelo traz o caos, como verificado na Cuba castrista ou na Venezuela sob Chávez e Maduro.
A diferença da direita que surge, diz Lobão, é seu leque de leitura ampliado – a esquerda só lê concordantes. Lobão também critica a produção cultural atual, e cita “cadáveres insepulcros” como Caetano Veloso e Chico Buarque.
Ele entende que vivemos o limiar de uma era iniciada em 1964. Lobão aponta que os atores são os mesmos desde então e que a queda do governo do PT representará o fim desta era e de seus “cadáveres insepulcros”. (A Tarde)


