Executivos do setor de recursos humanos de todo o país estarão reunidos em Salvador na próxima semana para discutir como as empresas devem se portar em relação ao quadro de funcionários neste período de crise. Com uma taxa de desemprego atingindo 8,3%, as incertezas da política e perspectivas de um 2016 ainda mais difícil, como os líderes empresariais devem agir?
“Esse não é o momento de demitir. As empresas devem apostar em suas equipes”, afirma a presidente da seção baiana da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA), Ana Cláudia Athayde da Costa, que vê falta de investimento por parte das empresas na formação de novos líderes. “Há um certo medo de que o funcionário faça sombra ao chefe, e, por isso, muita gente não investe em um sucessor”, considera Ana Cláudia, que enxerga também uma deterioração na formação escolar. “Os currículos refletem a década de 70 e a realidade mudou”, declara a presidente da ABRH-BA.
A executiva considera que está difícil conseguir profissionais com perfil de liderança, mesmo com o mercado retraído e a demanda pouco aquecida em setores como o petroquímico, a construção civil e a indústria automobilística, setores que estão entre os que mais contratam na Bahia. Pela sua avaliação, o mercado se mantém aquecido basicamente na região oeste, com o agronegócio em expansão e as obras de infraestrutura.Motivação
Mas como motivar os funcionários a abraçar o projeto da empresa? À frente de um orçamento anual de R$ 140 milhões para tocar os programas de liderança do Bradesco, onde é diretora de recursos humanos, Glaucimar advoga por corporações em que a liderança não seja vista como fruto de um manual de instruções.
“Não acredito em reter pessoas. O líder tem que ser querido, que as pessoas desejem estar na equipe dele”, afirma a diretora da ABRH. Como exemplo de um líder que não é produto de um manual, ela menciona uma postura desafiadora, “de quem questiona os processos da empresa”, diz.
A executiva também defende a ideia de que não há liderança perfeita e que correr riscos é fundamental para o processo de crescimento da empresa e do próprio profissional.
“O profissional tem que ser protagonista e é natural que, em meio a tantas decisões, algumas se mostrem erradas. O importante é que se possa aprender com os erros”, afirma a gestora, que acha fundamental que os empregados recebam regularmente feedback de suas chefias a respeito do trabalho que vêm fazendo.
Para o presidente do Grupo Empreenda, o baiano César Souza, a chave do sucesso da liderança está em sua capacidade de mobilizar as pessoas.
“O líder tem que estar mais próximo dos clientes. A empresa precisa respirar clientes”, afirma César, que cita ainda como desafios para quem está em cargos de liderança a necessidade de inovar e o cuidado consigo mesmo. “E preciso ter autoliderança”, afirma Souza, assinalando que a imagem que o líder espelha de si mesmo vai refletir o que as pessoas pensam da empresa. Souza concorda que o corte de pessoal não deve ser uma prioridade nesse período de crise. “Há muitos custos ocultos, invisíveis, que precisam ser detectados”, diz. (A Tarde)


