Tratamentos mostram que é possível viver bem com a diabetes

O servidor Augusto Aquino, 48, é portador de diabetes tipo 1. Preocupado com os danos da alteração metabólica ao longo dos anos no organismo, era adepto do tratamento convencional, mas precisava ser altamente disciplinado para não descompensar. 

Há cerca de três anos, conheceu um tratamento feito com uma bomba de insulina, presa ao corpo. Ao longo do dia, o equipamento mede a glicemia e injeta a quantidade necessária para compensar quaisquer mudanças. ?O ganho de qualidade de vida foi imenso. Hoje, posso avançar o horário do almoço, por exemplo, sem o risco de passar mal?, comemora.

Augusto é um dos muitos pacientes que descobriram que é possível conviver de forma pacífica com essa doença autoimune e metabólica, onde o próprio organismo destrói as células beta-pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina. 

A diabetes atinge cerca de 382 milhões de pessoas em todo o planeta. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, revelou que nove milhões são portadores. Desse total, um milhão são crianças. 

Alteração genéticaDe acordo com a endocrinologista e professora da Universidade Federal da Bahia Ana Cláudia Ramalho existem dois tipos de diabetes. Os tipos 1 e  2. Na primeira, o indivíduo nasce com a alteração metabólica e como o organismo não produz insulina, o portador passa a ser dependente dessa substância para viver. O tipo 1 é a forma mais frequente da doença em indivíduos até os 18 anos. 

No tipo 2, a insulina não age bem e para compensar, o organismo começa a tentar secretar mais insulina a ponto de criar uma exaustão e, por fim, deixa de produzir.

?A glicemia alta pode ocorrer por anos e, lentamente, ir causando danos irreparáveis ao organismo?, esclarece a professora, ressaltando que o estilo de vida e o sedentarismo possuem uma grande responsabilidade para o desenvolvimento da patologia e suas complicações. Ana Cláudia destaca que a adoção de um estilo de vida saudável ajuda a retardar o diabetes tipo 2 nas pessoas que possuem predisposição genética.

?Quando os médicos alertam para a necessidade da atividade física e de uma dieta mais saudável não se trata de um discurso limitador, mas de uma alternativa real e eficiente para evitar as inúmeras complicações advindas da doença?, explica a médica que é portadora do tipo 1 e que reconhece na própria rotina a necessidade de cada vez mais as  pessoas busquem o acompanhamento e a prevenção.

Silenciosa nos adultos, a diabetes tem sintomas bastante nítidos nas crianças e adolescentes. De acordo com a endocrinologista do Hapvida Giovana Meireles, os pais devem estar alertas e procurar ajuda médica quando uma criança, até então sadia, passa a sentir muita sede, fraqueza, urinar muito, aumentar o apetite ao mesmo tempo que perde peso rapidamente. ?Apenas 10% a 20% das crianças diabéticas têm histórico de antecedentes familiares?, lembra Giovana. 

Terapias Atualmente, existem diversas terapias que ampliam a qualidade de vida do paciente portador da diabetes do tipo 1, que é dependente da insulina. O esquema tem o objetivo de manter a glicemia no sangue controlada. A terapia convencional inclui a aplicação de uma a três doses fixas de insulina diariamente. Aliado a isso, o paciente precisa seguir uma alimentação balanceada e tentar manter os horários das refeições, além de praticar exercícios físicos regularmente. Na terapia insulínica flexível, o paciente precisa realizar a automonitorização, ter um plano alimentar e seguir rotinas de  atividades que vão determinar a aplicação da insulina de três ou mais vezes ao dia. Essas aplicações podem ser feitas com canetas de insulina usadas pelo próprio pacientes em áreas do corpo que possuam gordura. 

Embora esteja no mercado há cerca de uma década, a terapia com bomba de insulina ainda é nova na Bahia. ?No levantamento nacional de pacientes em uso de bomba de insulina que realizei, a qualidade de vida foi a indicação mais frequente em 429 pacientes das diversas regiões do Brasil. Este estudo foi coordenado por mim e tem resultados interessantes?, esclarece Ana Cláudia. (Correio)